Primeiro Índice Mundial da Saúde das Mulheres revela que as necessidades de saúde não estão a ser satisfeitas

22/09/21
Primeiro Índice Mundial da Saúde das Mulheres revela que as necessidades de saúde não estão a ser satisfeitas

O estudo da Hologic refere que 1,5 mil milhões de mulheres não foram testadas, ao longo do último ano, para nenhuma das doenças que mais afetam o sexo feminino, e alerta que as necessidades de saúde deste grupo não estão a ser satisfeitas.

O primeiro Índice Mundial da Saúde das Mulheres (Global Women’s Health Index) representa a saúde de aproximadamente 2,5 mil milhões de mulheres em todo o mundo.

Em Portugal, o Índice apurou que a percentagem de mulheres que realizam exames preventivos é reduzida. As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são as menos monitorizadas, com 88% das mulheres a afirmarem nunca ter feito um exame para este tipo de infeções nos últimos 12 meses. Segue-se o cancro, com 64,5% das mulheres a afirmarem nunca ter realizado qualquer tipo de exame preventivo, e, para despiste à diabetes apenas 46,2% fizeram análises.

O Índice é uma iniciativa da Hologic, em parceria com a Gallup, e aponta cinco critérios da saúde da mulher que contribuem em 80% para a sua esperança média de vida: cuidados preventivos, perceções de saúde e segurança, saúde emocional, saúde individual e necessidades.

A pontuação global do Índice é de 54, numa escala até 100, sendo que nenhum país conseguiu obter mais de 69 pontos. A maioria dos países que lideram o Índice são também os que mais investem nos seus sistemas de saúde. Já Portugal encontra-se na 16.ª posição do Índice, com 62 pontos.

“Os cuidados preventivos são um primeiro passo vital para combater doenças e infeções que afetam a esperança de vida e a fertilidade das mulheres”, afirmou a Dr.ª Susan Harvey, médica, vice-presidente de Global Medical Affairs da Hologic. “Falhar em garantir que as mulheres façam exames de rotina para o cancro, doenças e infeções sexualmente transmissíveis e doenças cardiometabólicas pode criar complicações maiores que, se fossem monitorizadas ou tratadas precocemente, poderiam ser evitáveis”, acrescenta.

“A pandemia COVID-19 não só agravou como chamou a atenção para lacunas de longo prazo no acesso e na qualidade dos cuidados de saúde”, explica a Dr.ª Vipula Gandhi, senior managing partner na Gallup. “O Índice oferece um ponto de partida para a avaliação do estado da saúde das mulheres. Esperamos que este estudo sirva como uma call to action para líderes e decisores de políticas de todo o mundo, porque são eles quem guia a recuperação global”, completa.

No âmbito geral, em 2020, as mulheres por todo o mundo sentiram-se pior do que nos últimos 15 anos. Experiências de preocupação, stress, tristeza e raiva continuaram a crescer e a estabelecer novos recordes. Cerca de quatro em cada dez mulheres afirmam que sentiram preocupação (40%) e stress (38%) ao longo do dia anterior à realização da entrevista.

Muitas inquiridas também mostraram preocupação em relação à sua segurança e à capacidade de satisfazer necessidades básicas como comida e abrigo.

O Índice Mundial da Saúde das Mulheres é um exame profundo de fatores críticos para a saúde da mulher, por país e território, e ao longo do tempo. Os seus resultados baseiam-se em respostas de 120 mil homens e mulheres, em 116 países e territórios, em mais de 140 línguas.

O Índice Mundial da Saúde das Mulheres fornece dados apoiados pela ciência que procura contribuir para a melhoraria da esperança e da qualidade de vida das mulheres e raparigas em todo o mundo.

Pode consultar mais informações sobre o Índice Mundial da Saúde das Mulheres e os resultados do primeiro estudo aqui.

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