No arranque de outubro, mês de sensibilização para o cancro da mama, a Dr.ª Noémia Afonso, presidente eleita da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), lembra que “as mulheres que são portadoras destas alterações hereditárias, das mutações genéticas BRCA, têm um risco muito aumentado de ter cancro da mama”.
“Com o evoluir do conhecimento percebemos que havia alguns subtipos de cancro da mama que se associavam mais a este teste genético, que havia outras causas que poderiam ser identificadas, além da história familiar, e que [esta identificação] seria importante não só para a doente, para fazer a sua vigilância e as cirurgias profiláticas, mas também para aos seus descendentes, que poderiam ser testados e, sendo ainda saudáveis, poderiam prevenir a doença oncológica”, explicou a presidente da SPO.
Segundo a especialista, a realização do teste genético permite não só definir terapêuticas mais adequadas para o doente, assim como dá a possibilidade de alertar os familiares para a importância de fazerem o teste e conhecerem o seu risco, que não é apenas restrito ao cancro da mama, pois a presença de mutações genéticas BRCA aumenta também o risco de cancro do ovário, pâncreas e próstata (nos homens).
O alerta surge no âmbito da campanha “saBeR mais ContA”, que envolve as associações Careca Power e Evita, a Europacolon e as sociedades portuguesas de Genética Humana, Ginecologia, Senologia e de Oncologia, com o apoio da AstraZeneca.
A presidente da SPO sublinha igualmente que, para alguns tipos de cancro e algumas situações, as mulheres devem ser testadas após 45 anos, nomeadamente no cancro da mama triplo negativo. “Recomenda-se o teste pelo menos até aos 60 anos”, afirma.
A Dr.ª Noémia Afonso considera ainda que, uma vez que esta alteração genética pode ter uma implicação terapêutica, os testes podem também ser pedidos pelo médico assistente, designadamente o oncologista.
Quanto aos homens, em quem o cancro de mama é raro, a presidente eleita da SPO lembra que nos portadores destas mutações genéticas BRCA “o risco de cancro da mama aumenta” e defende que “todos devem ser testados, independentemente da história familiar e da idade”.
No ano passado foram diagnosticados 7041 novos casos de cancro da mama.
Fonte: Lusa e Observador


