“A combinação ideal do doente e do dispositivo [inalatório] é uma verdadeira arte”

28/10/21
“A combinação ideal do doente e do dispositivo [inalatório] é uma verdadeira arte”

“Sem dúvida que os enfermeiros têm um papel importantíssimo, na gestão da doença respiratória crónica”. A afirmação foi feita pela Enf.ª Carmo Cordeiro, no âmbito do webinar “Dispositivo certo para o doente certo”.

A sessão decorreu na plataforma Inspire – The Respiratory Nurse Academy e que está disponível, aqui.

Admitindo que “existem algumas lacunas, nas consultas de Enfermagem, relativamente à melhor abordagem do doente respiratório”, a especialista em Enfermagem de Reabilitação considera que o programa desenvolvido pela Boehringer Ingelheim visa “ajudar a partilhar conhecimento, de forma a criar e desenvolver boas práticas em cuidados respiratórios". 

Numa introdução do tema, Carmo Cordeiro sublinha que a combinação ideal do doente e do dispositivo inalatório é “uma verdadeira arte” e partilha a sua experiência pessoal e profissional.

“Todos nos sabemos que a terapêutica inalatória é, sem dúvida, a pedra angular do tratamento das doenças respiratórias crónicas, nomeadamente, asma e DPOC [doença pulmonar obstrutiva crónica]”, destaca, completando que há vantagens inerentes, como a rapidez de ação, as altas concentrações no local pretendido, o efeito terapêutico com menor quantidade de fármaco, e o menor risco de efeitos sistémicos.

ainda que está associada às vantagens que lhe são inerentes, quer pelo seu início de ação rápido, quer pela seletividade do fármaco e a sobreposição no seu local de ação, quer por permitir uma dose diminuta do fármaco, mas com maior efeito terapêutico e menores efeitos secundários extrapulmonares”, completa.

Carmo Cordeiro aponta dois aspetos cruciais para que o fármaco seja otimizado e haja sucesso no tratamento da asma e da DPOC: “A terapêutica inalatória está dependente de requisitos muito importantes, como seja, por um lado, o uso correto do dispositivo, mas também pela execução adequada da técnica inalatória”.

Baseando-se nas recomendações do GOLD de 2020 (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. Global strategy for the diagnosis, management, and prevention of chronic obstructive pulmonary disease, 2020), a enfermeira reforça que “a seleção do inalador tem de ser personalizada e individualizada”, encontrando-se adequada às características do doente. Neste contexto, incluem-se fatores relacionados com a capacidade de utilização, preferência e perfil inspiratório. 

Apesar de existir consenso nacional e internacional, no âmbito da terapêutica inalatória, a par da literatura dos últimos 40 anos, os estudos mais recentes demonstram, frequentemente, um uso incorreto dos inaladores. A frequência da técnica inalatória incorreta permanece elevada (27%–36%) e não melhorou nas últimas quatro décadas (Sanchis J, et al. Chest. 2016;150:394-406).

Outro dos dados apresentados no webinar revela que os erros no uso do inalador “afetam substancialmente a deposição pulmonar do fármaco” e que os erros críticos estão associados ao aumento da taxa de exacerbações graves (Molimard M, et al. Eur Respir J. 2017;49:1601794).

“Há, aqui, outro papel muito importante que devemos ter em consideração, que é o do inalador”, afirma Carmo Cordeiro, acrescentando que este pode ser um fator de adesão à terapêutica. O design do dispositivo inalatório, a facilidade de manuseamento, a empatia com o mesmo, a complexidade da preparação e ativação do mesmo são também pontos que assumem relevância, e aos quais se juntam a técnica inalatória específica – que, em função do tipo de dispositivo, pode ser “lenta e profunda ou rápida e vigorosa”. Adicionalmente, é destacado o tipo de feedback de inalação – seja visual, auditivo ou gustativo –, pois “o doente gosta de ter a certeza que tomou a sua medicação”. 

 

“Não nos podemos esquecer que os dispositivos inalatórios não são todos iguais”

“Nós, os enfermeiros, pela proximidade – quer seja em contexto de Consulta de Enfermagem, hospitalar ou no domicílio –, temos um papel importantíssimo de intervenção, na educação, na capacitação e na autoeficácia do nosso doente respiratório, no que concerne à gestão da terapêutica inalatória e dos ensinos”, reforçou.

Nesta ótica, frisa a necessidade de o profissional de saúde ter conhecimento e competências para saber “utilizar corretamente os dispositivos”, nomeadamente, entender as características de cada um, no momento do ensino, bem como de identificar os erros críticos mais frequentes na utilização, para corrigi-los. Acresce a estes pontos que saiba demonstrar corretamente o seu manuseamento e a própria técnica inalatória. 

Há uma “infinidade de dispositivos inalatórios disponíveis”, cada um com diferentes particularidades, especificidades de manuseamentos e requisitos de manobras de inalação. “Não são todos iguais”, afirma a enfermeira, defendendo a necessidade de “estar em atualização constante”.

Falando da técnica inalatória, aponta os passos fundamentais e transversais a todos os dispositivos. “Sabemos que o doente tem de fazer uma expiração prévia à inalação. Porquê? Porque, a seguir, terá um maior volume inspiratório para fazer uma correta inalação”, esclarece. O segundo passo é a inalação “propriamente dita”, na qual existem, de facto, diferenças e que são explicadas no webinar.

tabela inspire

Adaptado de Terapêutica Inalatória: Princípios, Técnica de Inalação, Dispositivos Inalatórios, 2015

Um dos aspetos que define como “importantíssimo” é a pausa inspiratória. “Temos de explicar ao doente que, no final da inalação, tem de fazer uma pausa inalatória, porque é precisamente durante essa pausa de 10 segundos que se dá a sedimentação do fármaco, a nível pulmonar”, afirma, atestando que, pelo que é conhecido, “as partículas do aerossol depositam-se pelo mecanismo de sedimentação”. Neste sentido, caso o doente a omita, há uma “subotimização do fármaco”, a nível pulmonar.

 

NOVO RESPIMAT REUTILIZÁVEL

O novo Respimat Reutilizável foi outro dos tópicos abordados por Carmo Cordeiro. “Cada vez mais está mais em voga a preocupação com o ambiente e, sem dúvida, que a empresa Boehringer se preocupa com a questão do caminho sustentável”, começa por contextualizar.

Numa comparação com o Respimat anterior [descartável] aponta que “as características-chave e a aparência mantiveram-se”, à semelhança da precisão da dose [medição], do sistema de aerossol e do procedimento inicial de preparação do dispositivo, aquando da sua primeira utilização, bem como as inalações bidiárias.

“A baixa velocidade do aerossol mantém-se – portanto, lenta – o que permite uma boa coordenação mão-pulmão. A duração do aerossol – maior que um segundo – também se manteve, e é independente do esforço inspiratório”, aponta a especialista em Enfermagem de Reabilitação.

À questão “o que mudou?”, responde que “uma das grandes vantagens” é o manuseamento do mesmo, que por ser um pouco maior que o anterior, veio facilitar o processo, juntando-se a esta alteração um indicador de dose aprimorado e a opção de reutilização.

Saiba mais sobre “o dispositivo certo para o doente certo”, na plataforma INSPIRE – The Respiratory Nurse Academy e veja o webinar completo, aqui.

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