RSV: "Temos tido uma carga de doença elevadíssima"

19/11/21
RSV: "Temos tido uma carga de doença elevadíssima"

“Mudámos o enfoque para o vírus SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, mas na verdade os problemas que temos são com os outros vírus respiratórios.” Quem o afirma é o Dr. Gustavo Januário, pediatra no Hospital Pediátrico de Coimbra. Em entrevista à News Farma, o especialista destaca que a mudança de foco poderá ter prejudicado a atuação destes profissionais de saúde no vírus sincicial respiratório (RSV), com consequências para o futuro. Assista ao vídeo.

O Dr. Gustavo Januário partilha que, em anos anteriores, a epidemia anual de vírus sincicial respiratório iniciava-se em outubro e prolongava-se por alguns meses. As crianças mais afetadas tinham ainda poucos anos de vida provocando-lhes dispneia respiratória. No entanto, o especialista refere que os sintomas dependem da idade da criança, pelo que algumas apenas apresentavam uma ligeira constipação. “A idade é o grande fator de risco para a bronquiolite aguda”, refere.

No ano passado, com o início da pandemia COVID-19, houve “uma ausência total de circulação total de vírus sincicial respiratório”, sem casos de internamento nem deteção do vírus. “Isto é que é verdadeiramente interessante”, explica o especialista.

Este ano, no entanto, assistiu-se a “um número de casos completamente anormal, uma época epidémica muito forte e mais precoce”. O vírus sincicial respiratório começou a ser detetado a partir de abril, com circulação ativa até aos dias de hoje, afetando crianças “até” mais velhas.

O especialista partilha: “No meu hospital, temos tido uma carga de doença elevadíssima.” A maioria das crianças está doente, sendo uma possível explicação para a circulação do vírus não abrandar, pelo que as crianças que ainda não foram afetadas vão ser brevemente, independentemente do estado de saúde.

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