"A prevenção da doença invasiva pneumocócica está nas mãos dos profissionais de saúde”

30/11/21
"A prevenção da doença invasiva pneumocócica está nas mãos dos profissionais de saúde”

Em entrevista, o Prof. Doutor António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), reiterou a importância de promover a vacinação pneumocócica e partilhou os desafios do processo de imunização desta patologia.

O Prof. Doutor António Morais alerta que a terceira principal causa de morte em Portugal está associada a infeções das vias respiratórias, em que as pneumonias surgem em destaque, estimando-se que tiram a vida a 14 portugueses por dia, números problemáticos mesmo comparando com outros países do Ocidente.

Os grupos de risco acrescido para doença invasiva pneumocócica estão devidamente identificados na Norma 011/2015 da DGS, segundo o especialista, e são compostos maioritariamente por idosos (pessoas com 65 anos ou mais) e pessoas com comorbilidades. O presidente da SPP assume que estas pessoas ainda não estão suficientemente sensibilizadas para o processo de vacinação, nem para a circunstância de ser um esquema sequencial com duas vacinas. Afirma que esta falta de informação é transversal inclusive aos médicos, muitas vezes não têm um papel proactivo na recomendação desta vacinação, existindo por isso trabalho a desenvolver neste sentido.

Explica como está definido o esquema de vacinação, composto por duas vacinas. A vacina conjugada 13 valente deve ser a 1.ª a ser administrada, e 8 semanas a 12 meses, deve ser administrada a vacina polissacarídica 23-valente. A vacina conjugada é de uma toma única vitalícia, enquanto a polissacarídica, em condições particulares, pode voltar a ser administrada cinco anos após a primeira toma. Esta sequência deve-se aos diferentes serotipos presentes em cada uma das vacinas.

Segundo o Prof. Doutor António Morais, a vacinação contra a COVID-19, assim como a vacinação contra a gripe, que tem demonstrado uma melhoria contínua da cobertura, provaram que é possível uma promoção eficaz aos grupos de risco, de forma a controlar um problema de saúde, nomeadamente, o seu impacto e gravidade nos doentes. Está agora na mão dos profissionais de saúde que a prevenção da doença invasiva pneumocócica siga a mesma tendência.

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