O objetivo deste estudo-piloto foi identificar potenciais marcadores na relação entre o BEI e os COV em crianças asmáticas. Este estudo-piloto (van der Kamp et al. Allergy, Asthma & Clinical Immunology. 2021) mostra que o BIE estava relacionado com um aumento de dois COV em crianças asmáticas naive a corticoesteroides, que os tornam biomarcadores candidatos para permitir o diagnóstico não invasivo do BIE neste setting de doentes.
A asma é uma das doenças crónicas mais comuns na infância e é geralmente caracterizada por broncoconstrição induzida pelo exercício (BIE) que tem um impacto prejudicial sobre a qualidade de vida e desempenho atlético. A análise de compostos orgânicos voláteis (COVs) da respiração é uma nova técnica não intrusiva de análise de biomarcadores endógenos e exógenos (medicamentos prescritos, dieta e ambiente exposição). A sua potencial associação com os fenótipos da asma tornam os COVs em respiração um tópico de atual interesse e sugere que seja possível diferenciar as crianças com sintomas respiratórios não específicos de asma e prever a resposta aos corticoides inaláveis.Com efeito, vão emergindo cada vez mais provas de que estes compostos têm origem nas células inflamatórias das vias aéreas através de processos como o oxidativo stress. O objetivo deste estudo-piloto foi identificar os potenciais biomarcadores para a BIE em crianças com asma
Foram pedidas amostras de respiração a crianças com idades entre os quatro e os 14 anos de idade antes de se submeterem a um teste físico para avaliar a BIE.
Foram recolhidas e analisadas amostras de respiração em 46 crianças asmáticas: 21 com o BIE e 25 sem o BIE (NO-BIE), 29 eram naive ao tratamento com corticosteroides, 10 com BIE e 13 NO-BIE.As características moleculares (MFs) não eram significativamente diferentes entre os controlos do BIE e do NO-BIE. No grupo dos corticosteróides naïve, a BIE foi associado com aumento de MF23 e MF14 na amostra de respiração inferior (valor p<0,05). Este estudo-piloto mostra que os COVs exalados em crianças asmáticas não são significativamente diferentes entre o BIE e o NO-BIE. No entanto, em crianças naive aos corticosteróides, descobriu-se que o BIE era associado ao aumento do MF14 e MF23, compostos envolvidos no metabolismo lipídico e associados a respostas ao stress oxidativo. Por contraste, as crianças com BIE que já tinha tomado corticosteroides mostraram uma redução em MF1, um componente comum da poluição atmosférica associado à asma. Assim, os COVs exalados por crianças asmáticas podem ser diferenciados por BIE e NO-BIE, mas esta diferenciação pode estar afetado pela utilização de corticosteróides inalados.
Este estudo-piloto concluiu que a BIE estava relacionada com um aumento de MF14 e MF23 em crianças naive aos corticosteroides. Este achado abre caminho à criação de uma ferramenta de diagnóstico objetivo precoce para a BIE em crianças recém-diagnosticadas com asma, antes do início da iniciar terapêutica com corticoide inalável, sem necessidade de uma avaliação da BIE, salientando a relevância clínica de uma tal ferramenta.


