Enquanto se aguarda pela estratégia nacional, e a propósito do Dia da Anemia, que se assinalou no dia 26 de novembro, o Dr. João Mairos, presidente do AWGP, alerta para esta prevalência: “Em Portugal, estima-se que cerca de 32% dos adultos sofram de ferropénia e 20% de anemia”.
Por serem duas doenças com elevada prevalência, e tendo em conta, como acredita o presidente do AWGP, a existência de uma falta de sensibilização da população para o tema: “É preocupação atual o nível de literacia em Saúde dos portugueses. As pessoas têm acesso ilimitado à informação, sobretudo através da internet, mas nem sempre estão capacitadas para diferenciar a credibilidade das fontes de informação e não entendem o peso relativo dos assuntos. Para isso, é necessário atuar nas escolas com programas de literacia, o que leva tempo.”
O tempo tem levado também à implementação em Portugal do Patient Blood Management (PBM) o qual está intimamente ligado ao tratamento da anemia. O Dr. João Mairos explica que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, trata-se de “uma abordagem sistematizada, baseada em evidências e focalizada no doente, de forma a otimizar a gestão da transfusão, com o objetivo de garantir um tratamento eficaz e de qualidade, assegurando os melhores cuidados de saúde em termos de segurança e eficiência”.
No que diz respeito à anemia, e porque “os doentes que sofrem de anemia e/ou de ferropénia estão mais sujeitos ao risco transfusional, impera, pois, tratar a anemia, a ferropénia e as suas causas subjacentes, como uma prioridade para o doente, respeitando assim o conceito de PBM”.
Uma gestão com ganhos comprovados. “Aos importantíssimos ganhos clínicos obtidos com o PBM, surgem associados ganhos económicos muito significativos. Um programa de PBM implementado na Austrália, entre 2008 e 2014, gerou uma poupança ao sistema de saúde na ordem dos 18,5 milhões de dólares só no que respeita a produtos do sangue e globalmente na ordem dos 80 a 100 milhões de dólares. Em Portugal, as estimativas apontam para uma poupança de 67,7 milhões de euros num ano.”
Apesar disto, e de já existirem, em Portugal, programas a decorrer, “há ainda muito para fazer, sobretudo consciencializar, de forma eficaz, todos os atores envolvidos, onde se incluem os profissionais de saúde, para a necessidade de implementar o PBM”. Esta é, defende o especialista, “simultaneamente uma obrigação clínica, ética e económica”.
Para mais informações sobre este tema consulte o site do AWGP.


