Um dos primeiros estudos, levado a cabo pelo Albert Einstein College of Medicine, nos Estados Unidos, em julho de 2020, dava conta de que a queda de cabelo acontecia em pessoas que tinham sido infetadas, independentemente do quão ligeiros ou severos foram os sintomas sentidos.
Em Portugal o cenário foi idêntico: “logo na primeira vaga, em 2020, comecei a aperceber-me de que vinham muitas pessoas com queda de cabelos pós COVID-19. Umas, cerca de três meses depois, outras duas ou três semanas depois da infeção”, afirma o Dr. Rui Oliveira Soares, responsável pelo estudo realizado em Portugal.
O estudo português acompanhou 27 pessoas com infeção por SARS-CoV-2 laboratorialmente identificada que foram seguidas na Unidade de Cabelo do Centro de Dermatologia do Hospital CUF Descobertas, entre março e outubro de 2020. No entanto, as queixas de queda de cabelo associada à COVID-19 aumentaram este ano.
Os relatos de queda de cabelo entre pessoas infetadas rapidamente chamaram a atenção da comunidade médica no início da pandemia. Este ano, diz o tricologista o Dr.Rui Oliveira Soares, há quatro vezes mais queixas. O que está em causa é o chamado deflúvio telógeno, um tipo de queda de cabelo que tende a ser limitada e reversível algumas semanas depois.
Na maioria dos casos de deflúvio telógeno, a queda de cabelo “começa dois a três meses após o evento desencadeante, podendo prolongar-se por seis a nove meses até parar”, esclarece a Dr.ª Helena Toda-Brito, dermatologista, que diz que, “no caso da COVID-19, pensa-se que os efeitos citopáticos virais e respostas inflamatórias ou imunes podem afetar os folículos pilosos e explicar a queda de cabelo”.


