Aspirina pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca

10/12/21
Aspirina pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca

O uso de aspirina é comum e está associado a um risco acrescido de insuficiência cardíaca (IC) em 26% em pessoas com pelo menos um fator de risco para a condição. Esta é a conclusão de um estudo publicado no ESC Heart Failure, uma revista da European Society of Cardiology (ESC). Os fatores de risco incluíam o tabagismo, obesidade, tensão arterial elevada, colesterol elevado, diabetes, e doenças cardiovasculares.

“Este é o primeiro estudo a relatar que entre os indivíduos com pelo menos um fator de risco de IC, aqueles que tomavam aspirina tinham mais probabilidade de desenvolver posteriormente a doença do que aqueles que não usavam o medicamento”, salientou o autor do estudo, o Prof. Doutor Blerim Mujaj, da Universidade de Friburgo, Alemanha. “Embora os resultados careçam de confirmação, sugerem uma potencial ligação entre a aspirina e a IC que precisa de ser esclarecida, acresentou.

O impacto da aspirina na IC é controverso. Este estudo visou avaliar a sua relação com a incidência de IC em pessoas com e sem doença cardíaca e avaliar se a utilização do medicamento está relacionada com um novo diagnóstico de IC nas pessoas em risco.

A análise incluiu 30.827 indivíduos em risco de desenvolver IC que foram inscritos da Europa Ocidental e dos EUA no estudo HOMAGE. O risco de desenvolver IC foi definido como a presença de um ou mais dos seguintes fatores: tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes e doenças cardiovasculares. Os participantes tinham igual ou superior a 40 e não apresentavam risco de IC na baseline. O uso de aspirina foi registado na inscrição e os participantes foram classificados como utilizadores ou não utilizadores. Os participantes foram acompanhados para a primeira incidência de IC fatal ou não fatal que exigiu hospitalização.

A idade média dos participantes era de 67 anos e 34% eram mulheres. Na baseline, um total de 7.698 participantes (25%) estavam a tomar aspirina. Durante o follow-up de 5,3 anos, 1.330 participantes desenvolveram IC.

Os investigadores avaliaram a associação entre o uso de aspirina e a incidência de IC após o ajuste para outros fatores de risco e encontraram uma associação independente do uso de aspirina a um risco acrescido de 26% de diagnóstico de novo de IC

Para verificar a consistência dos resultados, os investigadores repetiram a análise depois de combinarem utilizadores e não utilizadores de aspirina para fatores de risco de IC. Nesta análise comparativa, a aspirina foi associada a um risco acrescido em 26% de um novo diagnóstico de IC.A análise foi repetida depois de excluir os doentes com antecedentes de doença cardiovascular. Em 22.690 participantes (74%) livres de doenças cardiovasculares, a utilização de aspirina foi associada a um aumento de 27% do risco de incidência de IC.

A este respeito, o autor comentou: “Este foi o primeiro grande estudo a investigar a relação entre o uso de aspirina e a incidência de IC em indivíduos com e sem doença cardíaca e com um ou mais fatores de risco. Nesta população, o uso de aspirina esteve associado à incidência de IC, independentemente de outros fatores de risco”.Contudo, o Prof. Doutor Blerim Mujaj advertiu: “São necessários grandes ensaios multinacionais aleatorizados em adultos em risco de IC para verificar estes resultados. Até lá, as nossas observações sugerem que a aspirina deve ser prescrita com cautela nos doentes com IC ou com fatores de risco para a doença”.

Partilhar

Publicações