A equipa, liderada pela Prof.ª Doutora Sandra Morais Cardoso, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), e pelo Prof. Doutor Nuno Empadinhas, investigador do CNC-UC, estudou, “em ratos, os efeitos da ingestão crónica de BMAA, uma toxina produzida por cianobactérias e outros micróbios, e que se pode acumular, por exemplo, em alguns animais aquáticos como bivalves, mariscos e peixes”, pode ler-se em comunicado.
Os cientistas mostraram que a ingestão crónica desta toxina microbiana ambiental “elimina grupos muito específicos de bactérias que protegem a mucosa intestinal e que regulam a imunidade ao nível dessa barreira essencial”.
“Caracterizámos os efeitos desta toxina, desde a erosão seletiva do microbioma intestinal à alteração da imunidade no íleo (região específica do intestino), até à degeneração específica dos neurónios que produzem dopamina no cérebro. Curiosamente, a alteração da barreira e imunidade intestinal levou a que o marcador cerebral clássico da doença surgisse primeiro no intestino”, explica a Prof.ª Doutora Sandra Morais Cardoso.
O estudo indica ainda que considerando que o diagnóstico clínico de Parkinson só ocorre quando surgem os primeiros sintomas motores, a doença pode, em alguns casos, ter surgido no intestino muitos anos antes.
A Prof.ª Doutora Sandra Morais Cardoso e o Prof. Doutor Nuno Empadinhas explicam que decidiram testar esta hipótese, uma vez que “muitos doentes apresentam sintomas intestinais vários anos antes do diagnóstico clínico e também porque parece existir uma associação direta entre tóxicos ambientais e o aparecimento desta doença descrita há cerca de 200 anos, mas cuja origem é ainda desconhecida”.
A investigação, referem, “confirma que existe uma comunicação direta entre bactérias e mitocôndrias, ou seja, apesar de esta toxina ser produzida por algumas bactérias e atacar outras que, neste caso, são sentinelas da imunidade na mucosa intestinal, também ataca mitocôndrias do intestino e do cérebro”. E concluem: “A toxina tem, portanto, ação antibiótica e terá tido origem nas guerras entre bactérias durante os muitos milhões de anos de evolução, mas que ao contrário dos antibióticos que usamos para combater bactérias que nos causam infeções, tem um efeito nocivo colateral duplo: ataca bactérias benéficas e mitocôndrias”.
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