Esta recomendação vai ao encontro da indicação atualmente aprovada para remdesivir, de acordo com a mais recente atualização do resumo das características do medicamento, datada de outubro de 2021 e não considera, por isso, quaisquer indicações relativas à duração de sintomas e/ou de doença para a utilização de remdesivir em doentes hospitalizados.
Principais destaques da atualização das recomendações da ESCMID:
- As recomendações são baseadas na evidência até à data disponível sobre doentes hospitalizados. Dentro destes, os peritos consideraram a subanálise de grupos, que permite concluir o benefício mais pronunciado de remdesivir nos doentes sob oxigenoterapia de baixo fluxo no início do tratamento;
- O foco nos resultados de mortalidade que vêm sendo gerados no que à evidência mais recentemente disponibilizada de remdesivir diz respeito. Nos doentes sob oxigenoterapia de baixo fluxo verifica-se um benefício significativo na mortalidade (4.0% vs. 12.7%; HR 0.30; 95% IC 0.14–0.64, o que significa uma redução de 70%);
- Remdesivir pode reduzir a necessidade de ventilação mecânica invasiva ou ECMO (RR 0.57; 95%CI 0.42–0.79, o que significa uma redução de 43%);
- A utilização de remdesivir na população global dos doentes em estudo resulta numa recuperação clínica mais célere (mediana 10 vs.15 dias; RR para recuperação 1.29;95% IC 1.12–1.49).
O objetivo destas orientações é fornecer recomendações baseadas na evidência para a gestão de adultos com COVID-19. Mais especificamente, o objetivo é ajudar os clínicos a gerir doentes com COVID-19 de vários níveis de gravidade, incluindo doentes em ambulatório, doentes hospitalizados e doentes admitidos nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).


