Células estaminais do cordão umbilical podem evitar perda de visão por glaucoma

17/12/21
Células estaminais do cordão umbilical podem evitar perda de visão por glaucoma

As células estaminais do tecido do cordão umbilical estão a ser investigadas como forma de tratamento inovadora para impedir a degeneração, ou até mesmo para promover a regeneração, do nervo ótico em contexto de glaucoma. O estudo, recentemente publicado na revista Stem Cells International, reportou resultados favoráveis desta estratégia inovadora no tratamento de glaucoma em modelo animal, podendo tornar-se numa mais-valia para estes doentes no futuro.

O glaucoma caracteriza-se pela perda progressiva das células do nervo ótico e constitui a principal causa de cegueira irreversível a nível mundial. Na maioria dos casos, está relacionado com o aumento da pressão intraocular, que não é dolorosa nem percetível pelo doente, podendo passar despercebida durante muitos anos até que se comecem a notar alterações na visão. Esta doença ocular afeta cerca de sete milhões de pessoas, só na Europa, e aproximadamente 200 mil indivíduos em Portugal.

Embora haja tratamentos farmacológicos, com laser ou cirurgia disponíveis para o tratamento de glaucoma, estes são incapazes de recuperar a visão já perdida. “O uso de células estaminais tem vindo a ser investigado como estratégia inovadora no tratamento do glaucoma, no sentido de impedir a degeneração das células do nervo ótico, ou mesmo, idealmente, promover a sua regeneração”, afirma a Dr.ª Bruna Moreira, investigadora do departamento de I&D da Crioestaminal.

“De acordo com os resultados deste estudo, as células estaminais do cordão umbilical têm capacidade para proteger o nervo ótico, potencialmente impedindo a progressão da doença. Além disso, a facilidade com que é possível colher estas células após o parto, de forma não invasiva e totalmente indolor, e a possibilidade de multiplicação em laboratório tornam-nas atrativas para aplicação clínica”, sublinha a especialista.

Neste estudo, foi utilizado um modelo animal de glaucoma, que apresentava pressão intraocular elevada, com subsequente lesão na retina e perda de células do nervo ótico, e procurou-se determinar a sobrevivência e a mobilidade das células estaminais após aplicação direta no olho. Para isso, as células foram marcadas com fluorescência, de forma a ser possível rastrear a sua localização ao longo do tempo.

Os resultados mostraram que as células estaminais do cordão umbilical, após aplicação no olho, são capazes de migrar para a zona lesada e sobreviver durante pelo menos dois meses. “Estes dados são de extrema relevância no âmbito da translação desta tecnologia para a prática clínica, sugerindo que estas células sobrevivem tempo suficiente para exercerem um efeito terapêutico, e que são capazes de se dirigir para o local da lesão, onde são mais necessárias”, esclarece a Dr. Bruna Moreira.

Os investigadores verificaram, ainda, que as células estaminais do tecido do cordão umbilical exercem um efeito protetor contra danos na retina causados por pressão intraocular elevada, tendo a sua administração estado associada a uma menor perda de células do nervo ótico.

Para aceder aos mais recentes estudos científicos sobre os resultados promissores da aplicação de células estaminais, visite o blogue de Células Estaminais.

 

 

Referências:

Wang Y, et al. Human Umbilical Cord-Mesenchymal Stem Cells Survive and Migrate within the Vitreous Cavity and Ameliorate Retinal Damage in a Novel Rat Model of Chronic Glaucoma. Stem Cells Int. 2021. 2021:8852517. 

https://www.sns.gov.pt/wp-content/uploads/2017/01/RRH-Oftalmologia-1.pdf, acedido a 23 de novembro de 2021.

https://glaucoma-answers.org/en/node/320

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