Estudo português mostra que comida de rua tem poucas opções saudáveis

23/12/21
Estudo português mostra que comida de rua tem poucas opções saudáveis

Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) analisaram 2.850 locais de venda de comida de rua em sete cidades da Ásia Central e Europa de Leste e concluíram ser pouca a oferta de fruta e hortícolas.

O projeto “FEEDCities” é o resultado de uma parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e procurou analisar o ambiente urbano de comida de rua em cidades da Ásia Central e da Europa do Leste.

“A implementação do estudo iniciou-se em países onde se tem verificado um aumento acentuado de doenças crónicas não transmissíveis e sobre os quais há poucos dados recolhidos de forma sistemática sobre fatores de risco relacionados com a alimentação”, esclareceu a Prof.ª Doutora Patrícia Padrão.

No total, foram avaliados 2.850 locais de venda e os alimentos recolhidos corresponderam aos “mais disponíveis” em cada uma das cidades, incluindo alimentos caseiros e alimentos industrializados (snacks, salgados, doces, bolachas e refrigerantes).

Segundo a investigadora, a “elevada disponibilidade de refrigerantes e baixa disponibilidade de fruta e produtos hortícolas prontos a consumir” foi uma característica comum aos locais de venda de todas as cidades.

No geral, os alimentos frequentemente disponíveis apresentavam um perfil nutricional “pouco saudável”, com elevados teores de energia, gordura e sódio. Já as compras apresentavam “elevada densidade energética”.

“Homens e compradores com excesso de peso ou obesidade tenderam a apresentar compras com perfil nutricional menos favorável, geralmente contendo valores superiores de gorduras saturadas, bem como de sódio”, observou.

A par dos alimentos industrializados, alguns alimentos caseiros também apresentaram altos teores de ácidos gordos, o que poderá refletir “práticas culinárias menos saudáveis como a fritura e o uso frequente de gorduras de menor qualidade nutricional na confeção destes alimentos”.

Face aos resultados, a Prof.ª Doutora Patrícia Padrão afirmou que intervenções no âmbito da nutrição e da saúde pública “poderão ser úteis para a melhoria destes ambientes alimentares”.

“Estas medidas deverão ser adaptadas a cada contexto e poderão passar por limitar a disponibilidade de produtos alimentares ultra-processados ricos em gordura saturada, ácidos gordos, açúcar e sal”, referiu, acrescentando ser também necessária uma maior consciencialização dos vendedores e consumidores relativamente à composição nutricional da comida de rua.

Fonte: Lusa

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