O projeto “FEEDCities” é o resultado de uma parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e procurou analisar o ambiente urbano de comida de rua em cidades da Ásia Central e da Europa do Leste.
“A implementação do estudo iniciou-se em países onde se tem verificado um aumento acentuado de doenças crónicas não transmissíveis e sobre os quais há poucos dados recolhidos de forma sistemática sobre fatores de risco relacionados com a alimentação”, esclareceu a Prof.ª Doutora Patrícia Padrão.
No total, foram avaliados 2.850 locais de venda e os alimentos recolhidos corresponderam aos “mais disponíveis” em cada uma das cidades, incluindo alimentos caseiros e alimentos industrializados (snacks, salgados, doces, bolachas e refrigerantes).
Segundo a investigadora, a “elevada disponibilidade de refrigerantes e baixa disponibilidade de fruta e produtos hortícolas prontos a consumir” foi uma característica comum aos locais de venda de todas as cidades.
No geral, os alimentos frequentemente disponíveis apresentavam um perfil nutricional “pouco saudável”, com elevados teores de energia, gordura e sódio. Já as compras apresentavam “elevada densidade energética”.
“Homens e compradores com excesso de peso ou obesidade tenderam a apresentar compras com perfil nutricional menos favorável, geralmente contendo valores superiores de gorduras saturadas, bem como de sódio”, observou.
A par dos alimentos industrializados, alguns alimentos caseiros também apresentaram altos teores de ácidos gordos, o que poderá refletir “práticas culinárias menos saudáveis como a fritura e o uso frequente de gorduras de menor qualidade nutricional na confeção destes alimentos”.
Face aos resultados, a Prof.ª Doutora Patrícia Padrão afirmou que intervenções no âmbito da nutrição e da saúde pública “poderão ser úteis para a melhoria destes ambientes alimentares”.
“Estas medidas deverão ser adaptadas a cada contexto e poderão passar por limitar a disponibilidade de produtos alimentares ultra-processados ricos em gordura saturada, ácidos gordos, açúcar e sal”, referiu, acrescentando ser também necessária uma maior consciencialização dos vendedores e consumidores relativamente à composição nutricional da comida de rua.
Fonte: Lusa


