Fundação do Pulmão apela por mais restrições ao tabaco e mais espirometrias no terreno

27/12/21
Fundação do Pulmão apela por mais restrições ao tabaco e mais espirometrias no terreno

A Fundação Portuguesa do Pulmão defende uma intervenção mais dura contra o tabaco, como proibição e multas e efetivas, e pede que o plano nacional de espirometria “saia da gaveta” de modo a se conseguir conhecer a realidade da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

“A única forma de fazer o diagnóstico da DPOC é com a espirometria e não basta dizermos que há um plano nacional e, depois, no terreno, não acontecer nada”, disse o presidente da fundação, Dr. José Alves, sublinhando ainda que o grande “lobo mau” das doenças respiratórias é o tabaco e diz que “é preciso olhar para ele como um produto a evitar em absoluto”.

“Não é só ele, mas ele (o tabaco) é muito importante no aumento do risco relativo das doenças que mais matam a nível nacional e mundial. A pneumonia, a DPOC, o cancro no pulmão e, independentemente disto, é também causa de morte das doenças cardiovasculares e dos AVC cerebrovasculares”, frisou.

O especialista defende que só com a proibição do tabaco, no interior e no exterior dos edifícios, com um aumento considerável do preço e com a aplicação de multas efetivas é que se consegue atacar o problema.

A propósito do plano nacional da espirometria sublinha a sua importância e lembra que só depois de se fazer este exame é que se consegue diagnosticar DPOC. “Na prática, o que acontece é que deve haver 600 mil a 800 mil doentes com DPOC, só 130 mil estão identificados nos centros de saúde e, desses, nem metade tem espirometria feita”.

O presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão releva a perda de anos de trabalho que a DPOC causa, pois “a partir dos 48/50 anos as pessoas começam a ficar doentes e deixam de trabalhar” e estima a perda de 10 anos de trabalho por doente. “Se são 800.000, é só multiplicar. É uma perda considerável”, afirmou.

Segundo o Observatório das Doenças Respiratórias, entre 2011 e 2019, o número de utentes com problemas ativos de asma e DPOC nos cuidados de saúde primários aumentou 182% e 152%, respetivamente.

 

Fonte: Lusa

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