Prevalência de asma brônquica com pior controlo em mulheres mais velhas

04/01/22
Prevalência de asma brônquica com pior controlo em mulheres mais velhas

O controlo da asma em adultos mais velhos depende de muitos fatores. A asma nos adultos mais velhos difere de asma nos jovens em muitos outros aspetos, incluindo suscetibilidade genética, influências ambientais, patogénese, tipo de inflamação das vias aéreas, curso da doença, comorbilidades, taxa de hospitalização, e outcomes do tratamento.

A maioria dos estudos centra-se em crianças e adultos ou em doentes sem comorbilidades. Neste contexto, foi analisada num estudo retrospetivo (Zhang, Y; Lewei H. Allergy, Asthma & Clinical Immunology.2021) a prevalência e as características de doentes mais velhos com asma brônquica para alcançar melhores outcomes nestes doentes.

Os doentes incluídos no estudo são provenientes de uma população chinesa e foram divididos em dois grupos em função da idade: mais jovens (idade <65 anos) e mais velhos (age≥65 anos). Considerou-se asma brônquica com início precoce em idades <40 anos (asma precoce) e com início tardio em idades ≥40 anos (asma tardia).

No presente estudo, constatou-se que o número de doentes adultos idosos com asma tardia eram significativamente mais elevado do que nos doentes mais jovens. A idade de início da asma tem implicações importantes para o resultado. Os adultos mais velhos tiveram frequentemente ataques repetidos, sugerindo uma tendência de agravamento gradual. A função pulmonar diminui com a idade, e esta diminuição natural pode afetar os outcomes.

Neste estudo, também se observou que apena 36,6% dos adultos mais velhos usam frequentemente corticoides inalados (ICS) conforme indicado, e apenas 7,3% tinham bom controlo da asma brônquica. O cumprimento da medicação e das boas técnicas de inalação são importantes para o controlo a longo prazo de asma em adultos mais velhos. Porém, a deficiência cognitiva e a demência podem comprometer a adesão terapêutica, e a prevalência da deficiência cognitiva aumenta com a idade. O acesso aos dispositivos de inalação também podem afetar a adesão à terapêutica. Neste estudo, o acesso a seguros de saúde com cobertura universal para medicamentos mostrou ser outro fator que pode afetar a adesão à terapêutica. O presente estudo mostrou ainda que a taxa de visitas de emergência foi mais elevada do que a taxa de hospitalizações (53,7% vs. 31,7%). A progressão da asma leva a uma diminuição da qualidade de vida, caracterizada por atividades limitadas e perda da capacidade de funcionar de forma independente e social. Por este motivo, os autores do estudo defendem que a avaliação do controlo da asma brônquica em doentes adultos mais velhos deve considerar a taxa de visitas de emergência combinada com a taxa de hospitalização.

Os adultos mais velhos com asma brônquica tinham mais comorbilidades: hipertensão e diabetes eram comuns, e as doenças alérgicas eram relativamente raras. Os doentes asmáticos podem estar relacionados com o declínio da função corporal dos adultos mais velhos e a sua insensibilidade a reações alérgicas. Estas comorbilidades podem afetar as manifestações clínicas e a interação entre doenças pode levar a manifestações clínicas atípicas em doentes adultos mais velhos com asma brônquica. Esta pode ser a razão pela qual a taxa de visitas de emergência e hospitalização de doentes adultos mais velhos com bronquite a asma era mais elevada do que nos doentes mais jovens.

O estudo também notou que a contagem de eosinófilo do sangue periférico, VEF1, e VEF1/CVF de doentes adultos mais velhos com asma brônquica eram inferiores aos doentes mais jovens, exceto os níveis de IgE total do soro.

A partir deste estudo foi possível concluir que a frequência da asma brônquica entre doentes adultos mais velhos é elevada, sendo superior nas mulheres versus homens. Os doentes adultos mais velhos com asma têm um longo curso de doença, tendem a fumar muito, são diagnosticados tardiamente e têm um controlo deficiente da asma. Os doentes adultos mais velhos com asma têm muitas comorbilidades, pior função pulmonar, e outcomes de ataques graves e são pouco os que utilizam regularmente o ICS. Assim, os médicos devem estar mais atentos aos doentes adultos mais velhos com asma brônquica, devem encorajá-los a deixar de fumar, educá-los sobre a necessidade de controlar a asma, avaliar a cognição, avaliar a compreensão da utilização dos dispositivos para garantir a adesão, educar sobre a importância do descanso, evitar infeções respiratórias, e exercício, e realizar avaliações geriátricas abrangentes. A adoção destas medidas pode levar a uma melhor gestão e outcomes do tratamento da asma brônquica em adultos mais velhos. 

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