A maioria dos estudos centra-se em crianças e adultos ou em doentes sem comorbilidades. Neste contexto, foi analisada num estudo retrospetivo (Zhang, Y; Lewei H. Allergy, Asthma & Clinical Immunology.2021) a prevalência e as características de doentes mais velhos com asma brônquica para alcançar melhores outcomes nestes doentes.
Os doentes incluídos no estudo são provenientes de uma população chinesa e foram divididos em dois grupos em função da idade: mais jovens (idade <65 anos) e mais velhos (age≥65 anos). Considerou-se asma brônquica com início precoce em idades <40 anos (asma precoce) e com início tardio em idades ≥40 anos (asma tardia).
No presente estudo, constatou-se que o número de doentes adultos idosos com asma tardia eram significativamente mais elevado do que nos doentes mais jovens. A idade de início da asma tem implicações importantes para o resultado. Os adultos mais velhos tiveram frequentemente ataques repetidos, sugerindo uma tendência de agravamento gradual. A função pulmonar diminui com a idade, e esta diminuição natural pode afetar os outcomes.
Neste estudo, também se observou que apena 36,6% dos adultos mais velhos usam frequentemente corticoides inalados (ICS) conforme indicado, e apenas 7,3% tinham bom controlo da asma brônquica. O cumprimento da medicação e das boas técnicas de inalação são importantes para o controlo a longo prazo de asma em adultos mais velhos. Porém, a deficiência cognitiva e a demência podem comprometer a adesão terapêutica, e a prevalência da deficiência cognitiva aumenta com a idade. O acesso aos dispositivos de inalação também podem afetar a adesão à terapêutica. Neste estudo, o acesso a seguros de saúde com cobertura universal para medicamentos mostrou ser outro fator que pode afetar a adesão à terapêutica. O presente estudo mostrou ainda que a taxa de visitas de emergência foi mais elevada do que a taxa de hospitalizações (53,7% vs. 31,7%). A progressão da asma leva a uma diminuição da qualidade de vida, caracterizada por atividades limitadas e perda da capacidade de funcionar de forma independente e social. Por este motivo, os autores do estudo defendem que a avaliação do controlo da asma brônquica em doentes adultos mais velhos deve considerar a taxa de visitas de emergência combinada com a taxa de hospitalização.
Os adultos mais velhos com asma brônquica tinham mais comorbilidades: hipertensão e diabetes eram comuns, e as doenças alérgicas eram relativamente raras. Os doentes asmáticos podem estar relacionados com o declínio da função corporal dos adultos mais velhos e a sua insensibilidade a reações alérgicas. Estas comorbilidades podem afetar as manifestações clínicas e a interação entre doenças pode levar a manifestações clínicas atípicas em doentes adultos mais velhos com asma brônquica. Esta pode ser a razão pela qual a taxa de visitas de emergência e hospitalização de doentes adultos mais velhos com bronquite a asma era mais elevada do que nos doentes mais jovens.
O estudo também notou que a contagem de eosinófilo do sangue periférico, VEF1, e VEF1/CVF de doentes adultos mais velhos com asma brônquica eram inferiores aos doentes mais jovens, exceto os níveis de IgE total do soro.
A partir deste estudo foi possível concluir que a frequência da asma brônquica entre doentes adultos mais velhos é elevada, sendo superior nas mulheres versus homens. Os doentes adultos mais velhos com asma têm um longo curso de doença, tendem a fumar muito, são diagnosticados tardiamente e têm um controlo deficiente da asma. Os doentes adultos mais velhos com asma têm muitas comorbilidades, pior função pulmonar, e outcomes de ataques graves e são pouco os que utilizam regularmente o ICS. Assim, os médicos devem estar mais atentos aos doentes adultos mais velhos com asma brônquica, devem encorajá-los a deixar de fumar, educá-los sobre a necessidade de controlar a asma, avaliar a cognição, avaliar a compreensão da utilização dos dispositivos para garantir a adesão, educar sobre a importância do descanso, evitar infeções respiratórias, e exercício, e realizar avaliações geriátricas abrangentes. A adoção destas medidas pode levar a uma melhor gestão e outcomes do tratamento da asma brônquica em adultos mais velhos.


