Células estaminais do cordão umbilical aumentam sobrevivência de doentes com cirrose hepática

21/01/22
Células estaminais do cordão umbilical aumentam sobrevivência de doentes com cirrose hepática

As células estaminais do tecido do cordão umbilical têm a capacidade de melhorar a função hepática e aumentar a sobrevivência de doentes com cirrose hepática descompensada, decorrente da infeção pelo vírus da hepatite B. Os novos dados, publicados recentemente na revista científica Hepatology International demonstram o benefício destas células no tratamento de doenças do fígado em estado avançado.

A cirrose, quando descompensada, pode provocar hemorragias do trato gastrointestinal, encefalopatia (inflamação do cérebro), icterícia (pele e olhos amarelados), acumulação de fluido na cavidade abdominal, e, eventualmente, a morte. “É nestas situações de descompensação que a administração de células estaminais do tecido do cordão umbilical poderá ser uma opção,”, afirma a Dr.ª Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal. “A procura por alternativas terapêuticas mais eficazes deve-se ao facto de as estratégias de tratamento convencionais se revelarem, em certos casos, insuficientes para controlar a doença”, acrescenta.

Este ensaio clínico, realizado na China, incluiu 111 doentes no grupo controlo, tratados recorrendo às abordagens convencionais, e 108 doentes no grupo experimental que, além do tratamento convencional, receberam três infusões de células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical, administradas com quatro semanas de intervalo. Os participantes foram acompanhados ao longo de cerca de 6 anos após o início do estudo.

Os resultados revelaram que o tratamento com células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical esteve associado a melhorias na função hepática durante o primeiro ano de seguimento. Adicionalmente, a análise dos resultados indicou que o tratamento experimental permitiu melhorar a taxa de sobrevivência entre os 13 e os 75 meses de acompanhamento, sem evidências de efeitos adversos significativos a curto e a longo-prazo.

Os autores referem que a melhor taxa de sobrevivência associada ao tratamento com células estaminais poderá dever-se aos efeitos regenerativos, imunomoduladores e anti-inflamatórios destas células, e que os resultados indicam que este benefício só se torna evidente 13 meses após o tratamento experimental.

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