Em 2019, quase cinco milhões de pessoas perderam a vida devido à resistência antimicrobiana, de acordo com um estudo recentemente publicado pela revista científica The Lancet, que analisou dados de 204 países e territórios.
Os investigadores responsáveis pelo estudo consideram que, em menos de 30 anos, as superbactérias serão responsáveis pela morte de 10 milhões de pessoas por ano, ou três vezes mais do que a estimativa da mortalidade por COVID-19 em 2020.
Em Portugal, estima-se que anualmente se registem 1.160 mortes causadas por bactérias resistentes, motivos que levam a Direção-Geral da Saúde a alertar para a importância de utilizar antibióticos quando for estritamente necessário, para que não se venham a tornar ineficazes.
Segundo a investigação, os especialistas estimaram que, a África Subsaariana e o Sul da Ásia têm a maior carga de resistência antimicrobiana, ao contrário da Austrália que detém a menor percentagem em comparação com as regiões analisadas.
Os cientistas descobriram que dos 23 agentes patogénicos incluídos no estudo, seis deles foram responsáveis por 73,4% das mortes atribuíveis à bactéria E.coli, Staphylococcus aureus, K. pneumoniae, S pneumoniae, Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa. De todos estes, a E. coli foi a bactéria que, em 2019, matou mais pessoas. Mas, todas juntos, estas seis bactérias foram responsáveis por 929.000 de 1,27 milhão de mortes diretamente associadas à resistência antimicrobiana.


