Descoberta de investigadora portuguesa abre portas a novas vias terapêuticas do cancro do pâncreas

01/02/22
Descoberta de investigadora portuguesa abre portas a novas vias terapêuticas do cancro do pâncreas

A equipa liderada pela Dr.ª Sónia Melo, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), encontrou um método para bloquear o circuito de comunicação entre células cancerígenas e descobriu uma proteína essencial à evolução do tumor pancreático, o que possibilita novos tipos de tratamento.

A Dr.ª Sónia Melo e os investigadores que integram a sua equipa descobriram que, em tumores pancreáticos, as células estaminais cancerígenas transmitem as diretrizes para o tumor poder crescer e sobreviver. Essas células estaminais são capazes de comunicar com as outras células do tumor através de vesículas extracelulares, dando-lhes ordens para que o tumor cresça e resista à quimioterapia. O estudo revela que, impedindo a comunicação entre estas células, é possível parar o crescimento do tumor.

"Já se sabia que as células tumorais comunicam entre si. O que nós descobrimos é que isso não é um evento ao acaso. Há uma hierarquia bem estabelecida. Apesar de serem em muito menor número, são as células estaminais as que mais comunicam com as outras células", refere a investigadora do i3S.

"Imaginemos que há cem pessoas numa sala e que é apenas um subgrupo de seis dessas pessoas que fornece toda a informação vital para esse conjunto de cem pessoas. É o que acontece com as células estaminais que dão as instruções às outras células cancerígenas sobre as condições necessárias para o tumor crescer e responder melhor aos ataques, como a quimioterapia", acrescenta.

Ao estudar a forma como as células comunicam, a equipa de investigação descobriu, também, que no interior das vesículas extracelulares secretadas pelas células estaminais cancerígenas existe uma proteína chamada Agrin. Segundo a Dr.ª Sónia Melo, "é esta proteína que, quando enviada às outras células, impulsiona o tumor a crescer e a resistir aos tratamentos de quimioterapia", e através da utilização de anticorpos para bloquear a proteína Agrin verificou-se um abrandamento do crescimento do tumor.

Desta forma, abrem-se portas a duas vias de terapêutica capazes de ajudar a combater o cancro pancreático, um dos problemas oncológicos mais letais da área da Gastrenterologia.

Fonte: Diário de Notícias

Fotografia: Diário de Notícias

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