Presidente do IPO de Lisboa afirma que estão a aparecer casos mais graves de cancro

03/02/22
Presidente do IPO de Lisboa afirma que estão a aparecer casos mais graves de cancro

Ainda estão por apurar os casos que ficaram por diagnosticar de cancro, influenciados pela pandemia, enferindo-se que os profissionais apontem para situações graves em doentes oncológicos. É a principal elação partilhada pelo presidente do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, o Dr. João Oliveira.

“Temos que ver com a análise mais detalhada dos registos que temos, nomeadamente os que dizem respeito ao estadiamento das doenças, à entrada no Instituto, e vamos com certeza estudá-la e será objeto de investigação”, avançou o especialista.

A menor referenciação verificada em doentes com estas patologias, não resultou, porém, numa enorme mudança na forma como os cuidados de saúde primários eram consumados. Na opinião do especialista, a maior mudança “foi mais notória nos meses de abril e maio de 2020, mas depois foi relativamente retomada”, ressalva, acrescentando que “o IPO é pouco sensível a essas variações” na medida em que geralmente recebe “doenças mais complexas”, ou seja, “doenças mais avançadas” que, por isso, “se declaram de qualquer modo e acabam por ser referenciadas.”

Não só os casos subdiagnosticados são motivo de aparente preocupação para o presidente do Conselho de Administração do IPO de Lisboa, sendo motivo de aviso por parte do responsável que se não for para a frente a construção do novo edifício de ambulatório, entendendo que é “a globalidade da prática do instituto que vai ficar em perigo” e a “funcionalidade global”, apesar de “muitos outros milhões de investimento” já efetuados no IPO.

Além dos gastos com as novas infraestruturas, o profissional de saúde, atenta para os valores despendidos pelo IPO de Lisboa em medicamentos que aumentou 50% nos últimos três anos, representando, atualmente, cerca de dois terços dos gastos da instituição.

“Podemos dizer que gastámos dois terços em medicamentos e, se calhar, os medicamentos não têm dois terços da importância no tratamento do cancro, nomeadamente nos tumores não hematológicos, que é essencialmente cirúrgico”, concluiu.

Fonte: CNN Portugal

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