“Recomendo a vacinação contra a meningite B em crianças entre os 5 e os 10 anos”

08/02/22
“Recomendo a vacinação contra a meningite B em crianças entre os 5 e os 10 anos”

O Prof. Doutor Francisco Abecasis, em declarações à News Farma, analisou um recente estudo internacional que concluiu que nos últimos anos houve um aumento de casos de infeção por meningite B em adolescentes no Reino Unido. O especialista fez ainda uma abordagem atual ao contexto da doença em Portugal, apelando à vacinação para prevenir casos de infeção graves que podem ser fatais.

As medidas ajustadas à pandemia, nomeadamente o confinamento e a proteção individual, através da utilização das máscaras e a higienização das mãos, vieram minimizar os riscos de contágio por doenças infecciosas. Foi este o cenário vivido em Portugal e um pouco por todo o mundo, durante aproximadamente dois anos.

Com o alívio das medidas, o número de doenças infecciosas aumentou genericamente. Um desses exemplos é o reaparecimento de casos por meningite B, uma doença causada pela inflamação das meninges, as membranas que protegem o cérebro e a medula espinal, provocada, por norma, por vírus e bactérias, mas também por fungos ou parasitas.

De acordo com uma notícia publicada pelo jornal inglês The Guardian, constatou-se que a partir de setembro de 2021 houve um acréscimo nas infeções por meningite B no Reino Unido em jovens entre os 15 e os 19 anos, equivalendo a uma percentagem de 41,5%. Valores percentuais altos, contrabalançando com os resultados existentes num contexto pré-pandémico de 14,3% nas mesmas faixas etárias.

Na perspetiva do Prof. Doutor Francisco Abecasis, a ausência de administração da vacina contra o serogrupo B em jovens britânicos pode justificar este aumento do número de infeções. O profissional de saúde explica que existe uma vacina no Reino Unido que contempla a imunidade para outros serogrupos, que não o grupo B, e que é dada a partir dos 12 anos, contrariamente àquela que pretende proteger contra a meningite B e “que é dada no primeiro ano de vida”. O que significa que “estes adolescentes não tiveram a imunização e, portanto, estão mais expostos a doenças virais”, refere.

O profissional de saúde espera que haja um crescimento exponencial em Portugal do número de casos de infeção por meningite B no futuro, ainda que considere que o contexto de vacinação no contexto português seja diferente ao do momento vivido no Reino Unido.

"Em Portugal, a vacina foi incluída em 2019 no Programa Nacional de Vacinação (PNV) para lactentes realizada aos dois, quatro e 12 meses, mas no nosso país existe quase uma tradição dos pediatras e os médicos de família recomendarem a vacinação de crianças com outras idades contra este tipo de doenças”. Em crianças não vacinadas, o especialista aponta como um “sinal de alerta” para o risco de exposição a que estas podem estar sujeitas por não estarem vacinadas.

O especialista explica que a inclusão da vacina no PNV no ano de 2019, ainda que tardiamente, quando comparada com o Reino Unido que a introduziu em 2015, contempla apenas as crianças que nasceram nos respetivos anos. “Em crianças mais velhas, por exemplo, dos cinco aos 10 anos, essas continuam em risco por não estarem vacinadas, por isso, recomendo a vacinação de crianças destas idades contra esta doença para estarem protegidas, porque o PNV não contempla a vacinação de todas as crianças, é só aquelas que forem nascendo a partir desse ano”, conclui.

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