Desta forma, entre março de 2020 e o período homólogo de 2021, responderam ao questionário 21.027 mulheres no total, de Itália, Suécia, Noruega, Eslovénia, Portugal, Alemanha, Sérvia, Roménia, França, Croácia, Luxemburgo e Espanha, sendo que destas 1.685 eram portuguesas.
O instrumento utilizado na investigação atendeu aos padrões definidos pela Organização Mundial de Saúde e destacou quatro aspetos entre eles a prestação de cuidados, experiência dos cuidados, recursos humanos e estruturas, e as mudanças organizacionais relacionadas com a pandemia da COVID-19.
Das participantes portuguesas inseridas no estudo, 31% das mulheres em trabalho de parto revelou ter tido um parto vaginal instrumentado, sendo utilizados fórceps ou ventosas para facilitar o processo, valores que, atendendo à análise da Prof.ª Doutora Raquel Costa, investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, é uma prática “três vezes superior do que é a média dos restantes países (11%)”, esclarecendo que a OMS não estabelece nenhum princípio de recomendação ou não recomendação com a técnica.
No entanto, a OMS estabelece como prática não aconselhável a realização de episiotomias, cuja percentagem em Portugal atingiu os 41%, representando o dobro da média europeia (20%).
Além desta, a manobra de kristeller é também uma prática não recomendada pela OMS, tendo sido efetuada em 49% das mulheres portuguesas com partos vaginais instrumentados, atingindo números superiores à média europeia (41%).
A par destes dados, a investigação permitiu concluir que 63% das mulheres portuguesas não tiveram “qualquer consentimento” para a realização do parto instrumentado, valor que contrasta com os números europeus (54%).
“Uma em cada cinco mulheres reportou que tem a perceção de que foi vítima de abusos físicos, emocionais ou verbais. Isto é um indicador que nos preocupa porque provavelmente são problemas de comunicação evitáveis” pois, segundo explica a especialista, “existem estratégias de comunicação que podem ajudar profissionais de saúde e as mães”.
Fonte: CNN Portugal


