Estudo sobre neuropatia aponta novas formas de tratamento para a doença de Parkinson

21/02/22
Estudo sobre neuropatia aponta novas formas de tratamento para a doença de Parkinson

Investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP) concluíram que a neuropatia periférica afeta 40% dos doentes com Parkinson e que tal descoberta possibilitará "novas formas de tratamento".

Em comunicado, o CHUP afirma que a investigação, desenvolvida no âmbito do projeto ITN Europeu, Innovative Training Network, e publicada na revista científica BRAIN, visava caracterizar o impacto funcional da neuropatia periférica em doentes com Parkinson.

No estudo, os investigadores do ICBAS e do Serviço de Neurologia, Neurofisiologia e Neuropatia do CHUP fizeram uma avaliação clínica de perto a 100 doentes com Parkinson, bem como uma análise detalhada da capacidade de condução dos nervos, da densidade das fibras nervosas na pele e de vários parâmetros metabólicos.

Fruto da parceria entre a indústria e a academia, o projeto recorreu à utilização de sensores de movimento para avaliar a marcha e o equilíbrio dos doentes, fatores "essenciais para a análise dos distúrbios no movimento". A investigação concluiu que a neuropatia periférica afeta cerca de 40% dos doentes com Parkinson, "resultando em alterações funcionais da mobilidade e do equilíbrio". Parte destas neuropatias estavam relacionadas com níveis alterados de glucose (25%) ou das vitaminas B6 e B12 (27,5%), o que indica que "o problema pode vir a ser alvo de tratamentos dirigidos".

Segundo o hospital, os resultados da investigação "podem abrir caminho a identificar os doentes com Parkinson que tenham algum tipo de neuropatia e com isso identificar a causa da mesma". "O tratamento individualizado poderá permitir melhorar o equilíbrio e mobilidade dos doentes, podendo também contribuir para a prevenção de riscos associados, como quedas, e para a melhoria da qualidade de vida", acrescenta.  

Citado no comunicado, o coordenador do estudo e médico neurologista do CHUP, Dr. Luis Maia, salienta que a experiência clínica do Serviço de Neurologia do CHUP e a tecnologia dos sensores proporcionada pela Universidade de Kiel, na Alemanha, "foram essenciais para o sucesso da investigação".

Também a Dr.ª Marta Francisca Corra, primeira autora do trabalho e estudante no programa doutoral em Ciências Biomédicas do ICBAS, diz ter sido "muito desafiante e interessante juntar os serviços do hospital e experienciar a dinâmica criada".

Fonte: Notícias ao Minuto

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