Este projeto do CEB, coordenada pelo Laboratório Associado para a Química Verde - Tecnologias e Processos Limpos (REQUIMTE), é “produzir alimentos mais seguros ao nível da presença de alergénios e novas fontes de proteína sustentáveis”.
Na base da inovação está o estudo das propriedades das principais proteínas responsáveis por alergias – soja, frutos secos, peixe, crustáceos, insetos e leite – com o objetivo de desenvolver técnicas avançadas, como o processamento por campos elétricos e por altas pressões, que permitam reduzir o potencial alergénico dos alimentos.
“O aumento do consumo de determinados tipos de alimentos pode promover o aumento das alergias”, afirma o Dr. António Vicente, investigador responsável pelo trabalho em curso no CEB, encarregue do estudo do processo com campos elétricos e da análise do comportamento dos alimentos num sistema de gastro-intestinal in vitro dinâmico, que permite simular o processo de digestão no corpo humano. É que, explica o cientista, “é crucial perceber as alterações induzidas pelos processos de tratamento nos alergénios alimentares, desde a sua origem (campo ou mar) até ao garfo e ao longo do intestino humano”.
Na perspetiva da saúde pública, o Dr. António Vicente reforça que “as alergias alimentares são uma das grandes preocupações dos nossos dias”. Por isso, “apesar de haver métodos para medir a presença de alergénios nos alimentos, baseados em deteção de ADN e de proteínas específicas, não existe ainda uma norma que se possa seguir”, diz o cientista. É neste sentido que a equipa do AlleRiskAssess, nome atribuído ao projeto, está ainda a produzir um teste que, pela sua “simplicidade e reprodutibilidade”, pode ser adotado como diretriz para avaliar a presença de alergénios em alimentos.
O AlleRiskAssess apresenta-se ainda como uma fonte de sustentabilidade, uma vez que explora o uso de fontes proteicas alternativas não-animais, como o caso da soja, e irá gerar conhecimento para o estudo do potencial alergénico de outras fontes de proteína emergentes com origem em microrganismos e insetos.
O projeto, que deverá terminar no segundo trimestre de 2022, pretende, desta forma, contribuir para uma melhoria da saúde pública e ao nível económico na gestão das alergias alimentares, uma vez que fornece ferramentas eficientes aos fabricantes de alimentos para um maior controle e proteção dos consumidores.


