No CATCO foram aleatorizados 1282 doentes, de 52 hospitais no Canadá, 634 tratados com remdesivir (RDV) e 648 tratados com standard of care (SoC), entre agosto de 2020 e abril de 2021. A mortalidade hospitalar foi de 18,7% nos doentes tratados com RDV e de 22,6% nos doentes tratados com SoC (RR 0.83, IC 95% 0.67-1.03). A mortalidade aos 60 dias foi de 24,8% nos doentes tratados com RDV e de 28,2% nos doentes tratados com SoC (IC 95% 0.72-1.07).
A necessidade de ventilação invasiva em doentes não ventilados invasivamente na baseline foi de 8,0% no braço de RDV vs 15% no braço de SoC (RR 0.53, IC 95% 0.38-0.75), o que corresponde a uma redução de 47% na necessidade de ventilação invasiva nos doentes tratados com RDV. A média de dias livres de oxigenoterapia e ventilação aos 28 dias foi de 15,9 e 21,4 no braço de RDV vs. 14,2 e 19,5 no braço de SoC (p=0.006 e 0.007), respetivamente. Não se verificaram diferenças em termos de eventos de segurança entre os dois braços em análise.
Estes resultados vêm reforçar aquela que é a atual indicação de remdesivir e, consequentemente, os dois estudos que estão na base da mesma, o estudo ACTT-1 do NIAID do NIH e o estudo PINETREE, promovido pela Gilead. O ensaio ACTT-1 demonstrou que o remdesivir melhorou significativamente o tempo de recuperação e também reduziu a probabilidade de progressão da doença, em comparação com o grupo placebo. O estudo PINETREE avaliou a eficácia e segurança de um curso de três dias de remdesivir IV (Intravenoso) na redução da taxa de hospitalização ou morte por todas as causas entre doentes não hospitalizados com COVID-19 em alto risco de progressão da doença.
Assim sendo, a indicação, sustentada pelos resultados dos estudos mencionados, reforça a potencial utilização de remdesivir num elevado espectro de doentes hospitalizados, desde os doentes assintomáticos ou com manifestação ligeira a moderada da doença, com fatores de risco para progressão desfavorável, aos doentes com formas de apresentação e de evolução mais grave, desde que não ventilados invasivamente no início do tratamento. Sendo este o espetro de perfis que representa a maioria dos doentes atualmente hospitalizados, remdesivir, demonstrado pelos seus resultados, pode contribuir para o alívio da sobrecarga do sistema de saúde hospitalar.


