CHULC abre Clínica de Tratamento Cirúrgico da Obesidade

17/03/22
CHULC abre Clínica de Tratamento Cirúrgico da Obesidade

O Hospital Curry Cabral, em Lisboa, abre um novo espaço que permite que num dia os doentes obesos façam todas as consultas de avaliação para a cirurgia bariátrica. Inaugurada no Dia Mundial da Obesidade, a Clínica de Tratamento Cirúrgico da Obesidade (TCO), do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC), terá um circuito independente, onde decorrerão todas as consultas de avaliação e seleção dos utentes candidatos a cirurgia.

“Criámos o Centro de Responsabilidade Integrado de Tratamento da Obesidade há cerca de seis meses e dentro desta lógica queríamos criar uma unidade que olhasse para a forma de cuidar de uma maneira diferente, mais efetiva”, afirmou o Dr. Paulo Espiga, vogal do Conselho de Administração do CHULC.

O objetivo, adiantou, é que no mesmo dia o doente “feche todo o seu ciclo de cuidados” para, se estiver apto, passar à fase seguinte, um processo que às vezes demorava três, quatro meses e que envolve consultas de Endocrinologia, Medicina Interna, Cirurgia, Fisiatria, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia e Enfermagem.

Na clínica, o utente será “atendido, entendido e ouvido como um só” pela equipa que o acompanha, não só no período pré-operatório, em que há “uma intensa e exaustiva preparação e adequação” para a cirurgia, como no pós-operatório. O espaço da clínica é composto por um gabinete de atendimento administrativo, duas salas de espera, sete gabinetes de consulta e uma sala polivalente.

Questionado sobre quantas consultas de obesidade ficaram por fazer em 2020 e 2021, fonte do CHULC afirmou que “a atividade depende da procura”, mas em 2020 registaram-se menos 300 consultas face a 2019, ano pré-pandemia. Em 2021, o valor foi superado com mais 700 consultas realizadas relativamente a 2019, o que permitiu recuperar a atividade adiada em 2020.

Quanto à atividade cirúrgica, afirmou que “houve um impacto importante” decorrente da pandemia, com uma redução em 130 cirurgias em 2020 face a 2019. “Em 2021, ainda que a atividade tenha melhorado, não foi possível atingir os níveis de desempenho de 2919 (menos 57 cirurgias)”, refere fonte do hospital, apontando como razões para esta quebra face a 2019 a ocupação das enfermarias e das Unidades de Cuidados Intensivos por doentes com COVID-19.

“Estamos a falar de cirurgia complexa que exige sempre cuidados intensivos e com a COVID-19 tivemos que, durante alguns meses, interromper a atividade não prioritária”, explicou o Dr. Paulo Espiga, convicto de que este ano vão conseguir recuperar as cirurgias que ficaram para trás. Segundo os dados, a lista de espera para cirurgia cifra-se nos 100 doentes, estando apenas seis fora do tempo máximo de resposta garantido, uma espera superior a 180 dias.

Destes seis doentes, três têm já a cirurgia agendada e os restantes ainda não realizaram a cirurgia por motivos relacionados com os próprios doentes. A média de espera após inscrição para cirurgia são 105 dias.

Segundo dados avançados pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), foram realizadas nas unidades do Serviço Nacional de Saúde 1.992 cirurgias bariátricas em 2019, número que desceu para 1.719 em 2020 e subiu para 2.706 no ano passado.

Partilhar

Publicações