Empresa portuguesa lança máscara para doentes com dificuldades de deglutição

04/04/22
Empresa portuguesa lança máscara para doentes com dificuldades de deglutição

Desenvolvida no ano passado, a empresa portuguesa Simoldes coloca no mercado uma máscara criada por uma equipa de investigadores das Faculdades de Medicina (FMUP) e Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), em colaboração com o Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga. Esta máscara visa proteger doentes com dificuldades de deglutição.

Trata-se de um equipamento de proteção individual que serve para diversas situações, com especial interesse para doentes com disfagia ou alterações da motricidade oral após a ocorrência de um acidente vascular cerebral (AVC). De acordo com o Prof. Doutor José Manuel Amarante, investigador do Laboratório de Biomecânica do Porto (LABIOMEP) e docente na Faculdade de Medicina, hospitais e lares podem também beneficiar, “sobretudo nos casos de população idosa que esteja institucionalizada ou internada e que, durante o período das refeições, possa ingerir os seus alimentos tendo a máscara colocada”.

Esta máscara encontra-se dividida numa componente superior fixa na testa e numa inferior amovível, que permite o acesso à cavidade oral do doente sem a remover, explica o Prof. Doutor Joaquim Gabriel Mendes, investigador do Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI). Além disso, “possui ainda a possibilidade de ser ligada a um sistema de aspiração”, acrescenta o Prof. Doutor José Manuel Amarante.

Ao surgir no seguimento de uma investigação relacionada com os constrangimentos da COVID-19, os investigadores entendem que com este equipamento estão “a dar resposta a um problema que nos vai acompanhar no futuro”, acrescenta a Prof.ª Doutora Catarina Aguiar Branco, fisiatra do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga e docente da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), que integrou a equipa, monitorizando e validando este dispositivo. Um ano após a sua criação, esta inovação dos cientistas portugueses vai ser introduzida no mercado pela Simoldes, empresa multinacional portuguesa que produz componentes de plástico para a área automóvel.

Esta invenção envolveu docentes, investigadores e parceiros interessados em estudar esta problemática, “tendo trabalhado no sentido de apresentarem uma solução que foi alvo de uma patente”, acrescenta o Prof. Doutor Miguel Pais Clemente, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. A empresa portuguesa multinacional junta-se ao projeto na tentativa de “apoiar os profissionais de saúde, fortemente sacrificados durante este período de pandemia”, acrescenta o Prof. Doutor Rui Paulo Rodrigues, diretor executivo da Simoldes.

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