Universidade de Aveiro estuda método para eliminar SARS-CoV-2 armazenado em águas residuais

05/04/22
Universidade de Aveiro estuda método para eliminar SARS-CoV-2 armazenado em águas residuais

O tratamento fotodinâmico pode eliminar o vírus SARS-CoV-2 em dez minutos em águas residuais, atendendo as conclusões de um estudo promovido recentemente pela Universidade de Aveiro (UA). O método de desinfeção, que não afeta os organismos presentes nas águas marinhas recetoras, tem sido investigado na vertente clínica bem como na vertente ambiental.

Um processo que se baseia “na aplicação de moléculas fotoativas ativadas por luz que interagem com o oxigénio e geram espécies reativas de oxigénio com capacidade para inativar os microrganismos”, descreve uma nota da Universidade.

Com o início da pandemia de COVID-19, o vírus SARS-CoV-2foi detetado no trato intestinal e nas fezes de doentes infetados e o seu ácido ribonucleico (RNA) em águas residuais, o que levou a que a equipa da UA avaliasse a possibilidade da sua inativação fotodinâmica em águas residuais, evitando desta forma a sua transmissão ambiental.

Neste trabalho, “as investigadoras utilizaram um bacteriófago Phi6 como modelo do vírus SARS-cov-2” e, segundo é discriminado, numa primeira fase foi avaliada a sobrevivência do vírus em água residual em diferentes condições de temperatura, ph e luz, verificando-se que o vírus modelo pode permanecer ativo até pelo menos 84 dias.

“A aplicação do tratamento fotodinâmico desenvolvido permite eliminar das águas o vírus modelo após 10 minutos de tratamento”, conclui a equipa de investigação.

A simulação efetuada “permitiu inferir que o tratamento aplicado não foi prejudicial para os microrganismos naturalmente presentes nas águas recetoras marinhas, que, não sendo patogénicos para o Homem, desempenham um papel benéfico para o equilíbrio da vida marinha”.

“Com estes resultados, as autoras deste estudo acreditam ter dado mais um passo na possibilidade de aplicação do tratamento fotodinâmico como um método de desinfeção eficiente e seguro de águas residuais”.

O estudo foi publicado na revista científica “Microorganisms”. 

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