Microplásticos podem transportar para os oceanos germes causadores de doenças

27/04/22
Microplásticos podem transportar para os oceanos germes causadores de doenças

Os microplásticos que poluem os oceanos podem ser veículos para germes patogénicos terrestres que provocam doenças em organismos marinhos e seres humanos, concluíram cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

A investigação, publicada recentemente no jornal Scientific Reports, é a primeira em que se admite que os microplásticos, ou seja, fragmentos com tamanho inferior a cinco milímetros, podem disseminar doenças transmitidas por organismos como Toxoplasma gondii, Cryptosporidium ou Giardia, que podem chegar aos seres humanos através do consumo de marisco.

"É fácil as pessoas desvalorizarem o problema dos plásticos nos oceanos como algo que não lhes diz respeito, mas quando se fala de doenças e saúde, torna-se mais fácil adotar mudanças. Os microplásticos deslocam germes de um lado para o outro e podem acabar na nossa comida e água", afirmou a Prof.ª Doutora Karen Shapiro, investigadora e especialista em doenças infecciosas.

O Toxoplasma gondii é um parasita que se encontra nas fezes dos gatos e que já infetou muitas espécies oceânicas com a doença toxoplasmose, como espécies de golfinhos e focas, além de provocar doenças prolongadas em seres humanos e problemas reprodutivos.

Cryptosporidium e Giardia lamblia são outro tipo de parasitas que provocam doenças gastrointestinais e que podem ser fatais para crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas.

Os investigadores estudaram em laboratório maneiras como os patogénicos analisados se podem associar aos plásticos na água do mar, sobretudo os que são utilizados em produtos cosméticos e os que vão parar ao oceano com as águas de lavagem de roupa ou a partir de redes de pesca.

Embora os parasitas se fixem mais aos microplásticos da roupa e das redes de pesca, todos os tipos de plástico analisados são capazes de transportar patogénicos.

Os microplásticos que flutuam à superfície podem deslocar-se a grandes distâncias, espalhando micro-organismos para bem longe da sua origem. Os que se afundam concentram-se no leito do mar, onde animais como ostras e outros tipos de bivalves vivem, aumentando a probabilidade de consumirem quer o plástico quer os micro-organismos que causam doenças.

A Prof.ª Doutora Chelsea Rochman, investigadora e especialista em poluição e professora de Ecologia na Universidade de Toronto, afirmou que há maneiras de evitar que os plásticos cheguem ao oceano, como a colocação de filtros nas máquinas de lavar e secar e nas saídas de águas residuais.

Partilhar

Publicações