Portugueses optam por serviços de saúde privados pelo tempo de espera em consultas de especialidade e cirurgias

03/05/22
Portugueses optam por serviços de saúde privados pelo tempo de espera em consultas de especialidade e cirurgias

Existe um maior grau de confiança em serviços de saúde no setor privado por parte da população portuguesa que se queixa principalmente dos tempos de espera associados às consultas de especialidade e às cirurgias.

O estudo, elaborado pelo Observatório da Saúde da Universidade Europeia e subordinado ao tema “Os portugueses e a Saúde no pós-pandemia”, refere que 48,7% dos inquiridos disse ter dificuldade em aceder a uma consulta da especialidade e, entre estes, 30,2% espera há mais de três meses por uma destas consultas.

“Isto acaba por ter influência no acesso do doente aos cuidados médicos e faz a diferença”, reconheceu a Prof.ª Doutora Ana Passos, uma das coordenadoras do estudo, sublinhando: “Se três meses para algumas coisas pode ser pouco tempo, para algumas consultas é muito e as pessoas não estão satisfeitas com esta espera”.

O estudo, que analisa as perceções dos portugueses relativamente aos serviços de saúde em termos de acesso, utilização, qualidade e confiança, indica também que 35,4% refere dificuldades em realizar exames de diagnóstico, sendo que 27,2% aguarda há mais de três meses pela realização de um destes exames.

Quase três em cada quatro confia ou confia muito no setor privado, enquanto no setor público o valor é de 56.1%.

Dos que recorreram aos serviços de saúde no último ano, 51,5% optou pelo setor público e 67,7% recorreu ao privado.
os serviços mais procurados do Serviço Nacional de Saúde (SNS) são os cuidados de saúde primários (médico de família ou outro médico no centro de saúde).

Neste âmbito, 22% não tem médico de família. Já nos utilizadores do setor privado, os serviços mais usados (56%) são as consultas de especialidade nos hospitais.

Globalmente a qualidade dos serviços (público e privado) é avaliada com nota positiva, destacando-se o bom atendimento (97% dos inquiridos), esclarecimento claro e percetível (89%), conforto e informação (87%).

Quanto à existência de seguros de saúde, 73,4% refere ser titular de uma cobertura de financiamento complementar ao SNS, com a grande maioria dos inquiridos (66,3%) a classificar o seu estado de saúde atual como bom ou muito bom.

“Os portugueses e a Saúde no pós-pandemia” foi realizado através de um inquérito ‘online’, entre os dias 22 de fevereiro e 19 de março de 2022, e recolheu 2.028 respostas.

“Trata-se de uma amostra não probabilística, tipo 'bola de neve', embora de abrangência nacional”, explicou a Prof.ª Doutora Ana Passos, referindo que, por ser um inquérito ‘online’, acaba por abranger uma população com maior literacia tecnológica e maior escolaridade (78,3% com formação superior).

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