Novos estudos confirmam a atividade de remdesivir no tratamento da COVID-19

17/05/22
Novos estudos confirmam a atividade de remdesivir no tratamento da COVID-19

A Gilead Sciences anunciou os resultados de dois estudos que fornecem mais informações sobre a utilização de remdesivir no tratamento de doentes hospitalizados e não hospitalizados com COVID-19.

O primeiro estudo é uma análise retrospetiva observacional dos dados de vida real da Premier Healthcare Database, constituída por 853.219 doentes hospitalizados com COVID-19 nos Estados Unidos. Esta análise revelou que mais de 50% dos doentes hospitalizados com COVID-19 receberam remdesivir, predominantemente em combinação com outros tratamentos. Um outro estudo, uma nova análise post-hoc dos dados do estudo PINETREE de Fase 3, demonstrou que a utilização de remdesivir até 7 dias após o início dos sintomas reduziu as hospitalizações em doentes de alto risco de evolução para formas graves de COVID-19. Os dois estudos foram apresentados no European Congress of Clinical Microbiology & Infectious Diseases (ECCMID) 2022, que decorreu de 23 a 26 de abril, em Lisboa.

A análise observacional dos dados de vida real também revelou que à medida que a pandemia avançava, o início do tratamento com remdesivir nos dois dias seguintes à hospitalização aumentou de 41% para 91% entre maio de 2020 e dezembro de 2021. Durante este período, à medida que surgiram novas variantes e a gravidade da doença foi variando, o tempo médio de hospitalização (LOS) diminuiu de sete para seis dias. Enquanto a utilização nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) diminuiu de 34% para 27%, com o maior benefício na ventilação de alto fluxo de oxigénio/não-invasivo (66% para 52%), o LOS global das UCIs permaneceu o mesmo. As taxas de mortalidade global permaneceram estáveis em 16%, com o maior declínio ao longo do tempo nos doentes com oxigénio suplementar de baixo fluxo (15% a 12%). Estes resultados confirmam o posicionamento de remdesivir como tratamento fundamental para doentes hospitalizados com COVID-19 e demonstram a necessidade de tratar doentes precocemente antes da sua evolução para formas mais graves de COVID-19.

“Numa pandemia, a análise dos dados de vida real tem um papel particularmente importante para nos ajudar a compreender como as opções terapêuticas estão a evoluir ao longo do tempo à medida que trabalhamos para descobrir as opções mais eficazes para os doentes. Há muito que compreendemos que os antivíricos funcionam de forma otimizada para os vírus respiratórios quando são administrados o mais cedo possível. Estes dados confirmam que o tratamento antiviral é agora iniciado mais cedo nas hospitalizações e que durante toda a pandemia, o remdesivir tem permanecido a base do tratamento nos doentes hospitalizados com COVID-19", afirmou o Prof. Doutor Robert L. Gottlieb, Baylor da University Medical Center e Baylor Scott & White Research Institute, nos Estados Unidos da América. "Além disso, como a experiência e confiança dos profissionais de saúde nas opções terapêuticas para a COVID-19 cresceu, também aumentou o uso de combinações terapêuticas, refletindo a integração incremental de tratamentos baseados em evidências”.

Também apresentada no ECCMID, a nova análise post-hoc de um ensaio de fase 3, duplamente cego e controlado por placebo (PINETREE) demonstrou que um tratamento de 3 dias de duração com remdesivir reduziu significativamente o risco de hospitalização. A análise avaliou a variabilidade do efeito do tratamento com esta terapêutica atendendo ao tempo de início dos sintomas e pelo número de fatores de risco de base. O estudo concluiu que remdesivir reduziu as hospitalizações em doentes com alto risco de evolução para formas graves de COVID-19 quando iniciado até 7 dias após o início dos sintomas.

Como se esperava de uma terapia antiviral, o benefício foi maior quanto mais cedo o remdesivir foi administrado. Os doentes tratados com este análogo nucleotídico nos cinco dias seguintes ao início dos sintomas tiveram um risco reduzido de 90% de hospitalização. Os doentes que receberam remdesivir após cinco dias do início dos sintomas tiveram uma redução de 81% no risco de hospitalização. Esta análise post-hoc baseia-se no objetivo primário, cujos resultados foram já apresentados, na qual remdesivir demonstrou uma redução estatisticamente significativa de 87% no risco de hospitalização relacionada com a COVID-19 ou morte por todas as causas até ao 28º dia (0,7% [2/279]) em comparação com placebo (5,3% [15/283]) p=0,008); não ocorreram mortes em nenhum dos braços do estudo até à análise do objetivo primário.

Durante o ECCMID 2022 foram ainda apresentados os resultados de uma coorte portuguesa intitulada “Therapeutic strategies in hospitalized patients with SARS-CoV-2 hipoxemic pneumonia: real life data on the use of remdesivir”, pelo Prof. Dr. Pedro Cunha, do Hospital da Senhora da Oliveira em Guimarães. Esta coorte incluiu 1.155 doentes hospitalizados com diagnóstico confirmado de COVID-19. Foram considerados os doentes com pneumonia confirmada radiologicamente e hipoxemia, com necessidade de tratamento de suporte e oxigenoterapia suplementar. Os autores do trabalho reportaram que o uso de remdesivir em associação com dexametasona reduziu significativamente a mortalidade, a permanência hospitalar e não registou efeitos colaterais significativos. Os doentes tratados com esta associação tiveram um tempo médio de internamento 4,25 dias inferior aos tratados apenas com dexametasona (p=0.002) e o risco relativo de morte durante o internamento do grupo de doentes tratados com remdesivir em associação com dexametasona foi de 0,47 [0.38; 0.60] quando comparado com o grupo controlo.

“Os dados apresentados no ECCMID não só sublinham o remdesivir como o standard of care para o tratamento da COVID-19 em doentes hospitalizados, como realçam ainda que os doentes podem beneficiar do remdesivir quando este é administrado até sete dias após o início dos sintomas e que o benefício é maior quanto mais cedo for administrado", disse o Dr. Frank Duff, senior vice president, virology therapeutic head, Gilead Sciences. "À medida que a pandemia tem progredido e a utilidade de outros tratamentos contra novas variantes tem mudado, estamos orgulhosos por remdesivir se ter mantido como tratamento basilar para os doentes hospitalizados com COVID-19”.

Partilhar

Publicações