Os dados da investigação em animais já foram publicados na revista Frontiers in Cellular Neuroscience. Segue-se agora a fase clínica, liderada por João Cerqueira (na foto).
A equipa portuguesa foi pioneira a concluir que a lipocalina 2 está aumentada naqueles pacientes, podendo mesmo ser usada como marcador de diagnóstico e avaliador de prognóstico. "Ao medir a quantidade da proteína no líquido da espinal medula sei com alguma segurança se o doente vai ter uma evolução mais ligeira ou agressiva da doença. Isso pode permitir ajustar a terapêutica individualmente", frisa o neurologista, citado no comunicado enviado pela UMinho.
Os cientistas sugerem ainda que a vitamina D, sobretudo aquela que é obtida através do sol, beneficia o tratamento da esclerose múltipla, porque parece funcionar como hormona, ajudando o sistema imunitário a não se descontrolar e a vigiar os surtos. "Há um défice endémico desta vitamina na população ocidental, que deixou de se expor ao sol em quantidade suficiente. Isso pode agravar uma série de doenças imunitárias e outras como Alzheimer", diz João Cerqueira, citado no mesmo comunicado.
A esclerose múltipla surge quando o próprio sistema de defesa do indivíduo passa a agredi-lo, em particular ao sistema nervoso central (cérebro, espinal medula) e à mielina que protege os neurónios. Isso compromete as funções coordenadoras gerais, como sensibilidade, locomoção, cognição, audição, visão, excreção. Atinge cerca de 5000 portugueses (46 casos em cada 100.000), a partir dos 20 a 40 anos, sendo dois terços do total mulheres. A esperança de vida destes doentes é de menos cinco a dez anos face à média nacional. Nos países mais a Norte, a prevalência é aproximadamente o triplo do que sucede em Portugal.
Uma equipa do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho está a estudar uma proteína que pode ter um papel importante no tratamento da esclerose múltipla. Isto porque a lipocalina 2 pode ajudar a percecionar em cada doente a rapidez como a doença evolui e, consequentemente, a adaptar o tipo de medicação em conformidade, refere a UMinho em comunicado.

