Os quatro cientistas distinguidos são autores de três projetos de investigação – dois de investigação básica e um de investigação clínica – selecionados pelo júri entre os 65 trabalhos concorrentes a estes prémios.
A cerimónia da entrega dos prémios – no valor de €20 mil para cada categoria de investigação (básica e clínica) – decorreu na Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa no dia 12 de dezembro.
Os três projetos premiados prosseguem avanços científicos na otimização das terapêuticas biológicas em doenças inflamatórias crónicas e incapacitantes, como é o caso da artrite reumatóide; no tratamento da sepsis; e no combate à fibrose quística.
Na categoria de investigação clínica, foi declarado vencedor o projeto assinado por Sandra Garcês, do Instituto Gulbenkian de Ciência, intitulado "An Evidence-Based Approach to Optimize Therapeutic Decisions Involving Biological Drugs". Este trabalho demonstra a possibilidade de uma abordagem clínica personalizada, baseada em evidência científica, que permitirá otimizar o uso das terapêuticas biológicas, melhorando, significativamente, o seu perfil de custo-efetividade. Trata-se de um projeto com repercussões clínicas, sociais e económicas muito importantes, pois permitirá maximizar os resultados das terapêuticas biológicas em doenças inflamatórias crónicas e incapacitantes, como é o caso da artrite reumatóide. É particularmente relevante quando é sabido que a prática clínica corrente se confronta com o facto de um número significativo de doentes não responder aos fármacos ou de perder resposta ao longo do primeiro ano de tratamento, dado que o próprio organismo do doente produz anticorpos anti-fármaco, o que promove a rápida eliminação do fármaco em circulação.
Através da elaboração de um algoritmo para monitorização dos doentes submetidos a terapias biológicas durante um ano, verificou-se que as estratégias concordantes com o algoritmo proposto têm uma probabilidade cerca de dez vezes superior de alcançar uma baixa atividade da doença, quando comparada com a estratégia comum da atual prática clínica. Daí a significativa melhoria do perfil de custo-benefício das terapêuticas biológicas.
Quanto aos dois projetos distinguidos na categoria de investigação básica, um deles, da autoria dos cientistas Luís Ferreira Moita e Nuno Figueiredo, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, intitula-se "As antraciclinas iniciam uma resposta protetora na sepsis grave por ativação de respostas reparadoras do DNA". Trata-se de um trabalho que representa uma esperança para o tratamento da sepsis através da descoberta que o grupo das antraciclinas clinicamente aprovadas (incluindo epirrubicina, doxorrubicina e daunorrubicina), vulgarmente utilizadas no cancro, são eficazes, mesmo em baixas doses, no tratamento da sepsis severa em ratinhos.
Esta investigação terá um grande impacto social e espera-se que face às descobertas realizadas num modelo de experimentação animal seja possível contribuir para o tratamento eficaz da maior causa de morte em unidades de cuidados intensivos e a terceira causa de mortalidade hospitalar. Algo que será possível de avaliar já em 2014, altura em que se dará início à realização de um ensaio clínico no Hospital de Santa Maria num pequeno número de doentes. Os resultados sugerem ainda que as antraciclinas podem ser usadas não só na prevenção da septicemia, mas também podem agir de forma terapêutica quando a sua administração é combinada com um antibiótico de largo espectro. Este trabalho sugere que esta terapêutica seja útil na prática clínica, de forma a reduzir a mortalidade por septicemia, em doentes que se encontram hospitalizados ou a necessitar de cuidados médicos durante as primeiras horas em que manifestem os sintomas de sepsis.
O terceiro projeto vencedor, liderado por Margarida D. Amaral, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem o título de "Global ENaC Regulators and Potential Cystic Fibrosis Therapy Targets", visou a descoberta de novos potenciais alvos terapêuticos para a fibrose quística, a doença genética fatal mas frequente na União Europeia, onde existem cerca de 30.000 pacientes.
Neste trabalho foram descobertos 739 genes que, quando inibidos, diminuem a atividade da proteína ENaC, entre os quais aquele que codifica para a DGKί ("diacylglycerol kinase iota"). Quando testados em culturas de células de pulmão de pacientes com fibrose quística, os inibidores da DGKί normalizaram quer a atividade da ENaC, quer o transporte de fluidos, mostrando assim ser a DGKί um promissor alvo terapêutico.
57 anos ao serviço da investigação biomédica
Instituídos em 1955, os Prémios Pfizer de Investigação distinguem os melhores trabalhos de investigação básica e clínica, elaborados total ou parcialmente em instituições portuguesas por investigadores portugueses ou estrangeiros e conferem anualmente um prémio monetário no valor de 20.000 euros para cada um dos projetos vencedores em cada área.
Na edição deste ano foram apresentados 65 trabalhos para avaliação do júri, correspondendo 31 candidaturas à área da Investigação Básica e 34 á área da Investigação Clínica. Ao longo destes anos, os Prémios Pfizer de Investigação foram atribuídos a mais de 550 investigadores, tendo sido premiados mais de 200 trabalhos.
Desde o início, os Prémios Pfizer têm marcado de uma forma positiva a investigação que se faz em Portugal e afirmam-se como um incentivo aos jovens investigadores, abrindo a porta para uma carreira científica. No passado, já receberam esta distinção reputados cientistas portugueses como João Lobo Antunes (1960 e 1969), António Damásio (1974), Alexandre Castro Caldas (1974, 1976 e 1999), Miguel Castelo Branco (2005 e 2006), Miguel Soares (2009), Bruno da Silva Santos (2009), Moisés Mallo (2004, 2005 e 2010), entre tantos outros.
Os Prémios de Investigação Pfizer resultam de uma parceria entre os Laboratórios Pfizer e a Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, com o objetivo de contribuir para a dinamização da investigação em ciências da Saúde em Portugal.
Consulte AQUI informação sobre os prémios e os vencedores de edições anteriores.
Quatro cientistas portugueses foram os grandes vencedores da 57ª edição dos Prémios Pfizer – o mais antigo galardão na área da Investigação Biomédica atribuído em Portugal, com o objetivo contribuir para a dinamização da investigação em ciências da saúde no nosso País.

