Leucemia mieloide aguda: células estaminais são uma alternativa ao tratamento

27/09/22
Leucemia mieloide aguda: células estaminais são uma alternativa ao tratamento

De acordo com um estudo recente, publicado na revista Bone Marrow Transplant, o transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical em doentes com leucemia mieloide aguda (LMA) contribuiu significativamente para a remissão da doença, atingindo resultados acima dos 90 %.

Neste mês dedicado às doenças hemato-oncológicas, a Prof.ª Doutora Andreia Gomes, investigadora e especialista em Biologia Molecular e Cultura Celular, lembra que são cada vez mais as evidências das potencialidades das células estaminais em vários tipos de cancro de sangue, como é o caso da LMA.

Em 2018, estimou-se uma prevalência de 709 doentes com LMA, em Portugal, surgindo 251 novos casos por ano e com uma maior incidência em doentes na faixa etária dos 70-79 anos. O estudo, realizado pelo Acute Leukemia Working Party of the European Society for Blood and Marrow Transplantation e cujos resultados foram conhecidos em junho, comparou os resultados entre uma ou duas infusões de sangue do cordão umbilical em doentes adultos com LMA.

O estudo demonstrou que uma maior percentagem de doentes, aos quais foram administradas duas infusões de sangue do cordão umbilical, apresentaram a remissão completa quando comparada com uma só infusão. Ainda assim, a maioria dos doentes atingiu a remissão completa após uma infusão e duas infusões de sangue do cordão umbilical, 91 % e 99 % respetivamente.

Outros parâmetros foram semelhantes nos dois grupos, tais como a incidência da doença do enxerto contra o hospedeiro, a incidência de recidiva, a sobrevivência livre de leucemia, a sobrevivência global e a sobrevivência livre de doença do enxerto contra o hospedeiro.

Este estudo, que abrangeu 325 doentes divididos em dois grupos, um com uma infusão de sangue do cordão umbilical e o outro com duas infusões de sangue do cordão umbilical, permitiu concluir que os resultados de doentes com LMA submetidos a infusão de sangue do cordão umbilical em remissão completa alcançados após uma ou duas infusões são semelhantes.

Ao longo dos anos, verifica-se a segurança da utilização do sangue do cordão umbilical, assim como o seu efeito terapêutico em diversas patologias. A Prof.ª Doutora Andreia Gomes, diretora técnica de Investigação, Desenvolvimento e Inovação do laboratório português BebéVida, refere que “estudos e ensaios clínicos continuam a serem realizados e têm demonstrado que existe um efeito terapêutico real consistente e diferenciador com recurso às células estaminais do cordão umbilical. No caso da LMA, os estudos mais recentes avaliam e corroboram, mais uma vez, a segurança na infusão de sangue do cordão umbilical e os efeitos que uma simples infusão pode ter no tratamento desta patologia”.

A especialista em Biologia Celular e Molecular explica que “o maior número de células estaminais hematopoiéticas por unidade de volume, a menor imunogenicidade, a menor incidência e a gravidade de doença do enxerto contra o hospedeiro, a colheita não invasiva, indolor e sem qualquer tipo de risco para o dador (mãe e bebé), associados a um rápido e fácil transporte, capacidade de criopreservação sem afetar a qualidade, são algumas vantagens diferenciadoras do sangue do cordão umbilical”.

A Prof.ª Doutora Andreia Gomes considera que, ao guardar o cordão umbilical em detrimento de o descartar, “consegue-se ter a possibilidade de tratamento, uma vez que “as aplicações atuais das células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical e os esforços médico-científico apresentam um grande crescimento”. A investigadora remata que “a decisão de criopreservar este material genético é cada vez mais relevante”.

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