Tratamento com células T CAR demonstra benefício em doentes com lúpus

27/09/22
Tratamento com células T CAR demonstra benefício em doentes com lúpus

Uma experiência pioneira em doentes com lúpus eritematoso sistémico (LES), que não tinham respondido a qualquer tratamento anterior, mostrou uma remissão da doença com esta terapia celular avançada com recurso a células T CAR.

Quatro mulheres e um homem, com idades entre 18 e 24 anos, todos com a forma mais grave de lúpus, participaram no estudo realizado pela Universidade de Erlangen-Nuremberga, na Alemanha. O tratamento com células T CAR levou à remissão da doença nos cinco voluntários.

O lúpus pode afetar muitos órgãos e sistemas diferentes e podem existir formas muito distintas da doença, podendo ter complicações muito graves, que exigem atenção urgente. O sexo feminino é oito a dez vezes mais afetado pela doença. As idades mais frequentes para o início do lúpus são entre os 18 e os 55 anos. As terapêuticas atuais permitem dar à maior parte dos doentes uma boa qualidade de vida, mas há quem não apresente melhorias mesmo com o uso de medicamentos.

Tendo em conta as limitações dos tratamentos em alguns doentes, os investigadores da Universidade de Erlangen-Nuremberga decidiram testar a terapia para o lúpus que utiliza células T CAR, modificando as células T do próprio doente e reintroduzindo-as no seu organismo. Os resultados deste estudo foram publicados na revista Nature Medicine.

Em entrevista, o Dr. Carl June, imunologista e especialista na terapia celular T CAR, mostrou-se confiante nos benefícios deste tratamento, até agora utilizado para certos cancros hematológicos, noutras doenças não oncológicas como a esclerose múltipla e o lúpus. O estudo alemão publicado recentemente vem precisamente mostrar a remissão do LES em cinco doentes.

A terapia T CAR é iniciada a partir das próprias células T do doentes que são extraídas e depois modificadas através da inserção de uma molécula (Recetor de Antigénio Quimérico - CAR) para eliminar as células B, visando certas proteínas na sua superfície. Esta estratégia tem prolongado a sobrevivência de doentes com certos tipos de leucemia, linfoma e mieloma múltiplo, em que as células B estão envolvidas.

Perante o sucesso alcançado, foi uma questão de tempo até que este método fosse testado noutras doenças autoimunes onde os linfócitos B também estão envolvidos, como é o caso do lúpus eritematoso sistémico. Em algumas situações, esta doença pode produzir surtos que causam inflamação, danos nas articulações, músculos e outros órgãos tais como pele, rins, coração e pulmões, entre outros.

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