“Há um universo de 60 % de doentes que continuam a não chamar o INEM, que é a grande arma para os doentes serem tratados adequadamente, uma vez que os encaminha para os hospitais mais adequados, através da Via Verde Coronária", afirmou o Prof. Doutor Luís Filipe Macedo, na véspera de se assinalar o Dia Mundial do Coração, comemorado esta quinta-feira, 29 de setembro.
Apesar dos sucessivos alertas para a importância de ligar para o 112 perante sintomas de enfarte agudo do miocárdio ou acidente vascular-cerebral, o coordenador do plano da Direção-Geral da Saúde disse que, “infelizmente, as pessoas, não estão tão esclarecidas como deviam estar”.
“Nós recebemos nos hospitais ainda muitos doentes com situações agudas que vão pelos meios próprios, o que nunca deveria acontecer”, lamentou o médico, apelando à população para “chamar de imediato” o 112 quando tiver “sinais de alarme” como dor no peito, sudação, sensação de peso nos membros superiores e náuseas.
“Se uma pessoa ficar em casa, ficar para o dia seguinte, não chamar uma ambulância do INEM, pode ficar com sequelas, além de que pode até falecer”, advertiu o diretor do Serviço Cardiologia do Centro Hospitalar Universitário de São João, elucidando que os primeiros 90 minutos são fundamentais para tratar um ataque cardíaco.
Atrasar o tratamento das doenças coronárias conduz a uma situação “muito grave”, a insuficiência cardíaca, disse.
“É outra pandemia que está a acontecer” e daí a importância de tratar adequadamente a doença para ter menos insuficiência cardíaca, vincou o especialista em Cardiologia.
As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte a nível global. Em Portugal, são responsáveis por cerca de 33 mil mortes anualmente, um terço do total de óbitos. Só o enfarte do miocárdio mata, em média, 12 pessoas por dia.
“Em Portugal, infelizmente, apesar de grandes avanços que tem havido nesta área a doença cardíaca e a doença vascular-cerebral continuam a ser a primeira causa de morte”, atentou, salientando a importância do Dia Mundial do Coração para fazer “uma chamada de atenção e uma reflexão sobre alterações e modificações do estilo de vida das pessoas”.
O Prof. Doutor Luís Filipe Macedo adiantou que muitas vezes bastam “pequenos gestos” para evitar a doença. Por exemplo, aproveitar os parques e os jardins das cidades para passear, conhecer melhor as cidades a pé, ter cuidados de nutrição.
Também devem ser evitados os fatores de risco cardiovasculares, como o tabaco, o colesterol, a hipertensão arterial, a diabetes que “hoje em dia é uma clara pandemia, porque as pessoas comem mais do que deviam e fazem pouco exercício, depois ficam obesas e acabam por ser diabéticos”.
Questionado sobre em que idade se deve fazer um rastreio às doenças cardiovasculares, o Prof. Doutor Luís Filipe Macedo afirmou que, a partir dos 45, 50 anos, a pessoa devem conhecer o seu perfil lipídico (colesterol, diabetes, hipertensão).


