A adaptação à pandemia da COVID-19 implicou alterações na vida quotidiana e na gestão dos sistemas de saúde, a fim de otimizar cuidados aos doentes com COVID-19. Ao longo da pandemia, em particular durante o confinamento, estiveram garantidos apenas “os serviços médicos urgentes, enquanto os procedimentos eletivos sofreram um decréscimo significativo”.
O IPOLFG, assim como outras instituições de saúde a nível mundial, “sofreu uma adaptação da sua atividade de forma a assegurar os serviços essenciais mantendo um baixo risco de transmissão da infeção COVID-19”. Neste contexto, vários atos médicos foram protelados, cancelados ou substituídos por modelos de telemedicina.
Este estudo retrospetivo analisou o acesso à consulta de Serviço de Otorrinolaringologia do IPOLFG e o estadiamento dos carcinomas pavimento-celulares da laringe na primeira consulta, comparando um período de 10 meses após o início da pandemia em Portugal a igual período de 2019, quanto ao número de consultas, diagnósticos realizados e estadiamento tumoral.
Os resultados revelaram um decréscimo significativo do número de primeiras consultas de doentes com patologia laríngea, comparativamente ao período homónimo do ano anterior (119 versus 159 consultas, resultando no diagnóstico de 100 e de 134 casos de CPC da laringe, respetivamente).
Não se observou diferença significativa no estadiamento dos tumores diagnosticados entre os grupos estudados. Estes resultados sugerem que a redução do número de consultas e o do diagnóstico de CPC da laringe poderão ser consequência do impacto da pandemia da COVID-19 nos cuidados de saúde.
Assim, este estudo expôs a redução do número de consultas realizadas e do número de CPC da laringe diagnosticados, em iguais períodos temporais antes e após início da pandemia COVID-19.
Rosário M, et al. Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço.2022


