As especialidades que fazem parte do plano de redução do tempo de espera por cirurgia através de operações ao domingo são Obesidade, Cirurgia Vascular, Estomatologia e Cirurgia Geral.
A diretora da Unidade Autónoma de Gestão (UAG) de Cirurgia do CHUSJ, Dr.ª Elisabete Barbosa, apontou como meta operar mais 64 doentes da especialidade de obesidade, 32 de cirurgia vascular e outros tantos de cirurgia geral, bem como 12 que aguardam vaga em estomatologia.
“Este modelo ajudará a diminuir as listas de espera”, afirmou a Dr.ª Elisabete Barbosa.
A diretora apontou que em Portugal esta iniciativa em hospitais “não tem paralelo”, mas, por exemplo, no Reino Unido o conceito do "hospital por sete dias" é comum.
“E é um conceito com o qual eu estou de acordo. A ideia passa por aproveitar a capacidade instalada e o hospital funcionar os sete dias da semana para tratar doentes. Claro que este esforço obriga a criar vagas de fim de semana para recobro, ainda que algumas cirurgias sejam feitas em regime de ambulatório”, descreveu.
O programa de produção adicional ao domingo do CHUSJ, que é centro de referência de cirurgia oncológica Hepato-Bilio-Pancreática do reto e do esófago e tem um Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) de Obesidade, começou na segunda quinzena de setembro e foram até agora operados mais 40 doentes.
“O objetivo é chegar às 140 cirurgias ao domingo até ao final do ano”, mencionou a Dr.ª Elisabete Barbosa sobre um programa com “possibilidade de alargamento a outras especialidades”.
Quanto ao escalamento de equipas cirúrgica, de enfermagem e anestésica, esse é voluntário e remunerado, ou seja o profissional é convidado a trabalhar ao domingo e caso o aceite recebe pelo exercício desta produção adicional.
A diretora da UAG de Cirurgia contou que após a pandemia, o CHUSJ começou a ter uma grande referenciação por parte dos cuidados de saúde primários, atingindo até valores superiores a 2019.
A referenciação para consulta cresceu mais 15 % em relação ao ano passado e, consequentemente, a lista de doentes inscritos para cirurgia aumentou 7 % também em relação a 2021 (dados de agosto).
“Se realizamos mais consultas, naturalmente a lista de doentes para cirurgia também aumenta. Se temos salas otimizadas seis dias por semana porque não usá-las os sete dias?”, analisou a responsável.
A Dr.ª Elisabete Barbosa admitiu que, por exemplo, em Obesidade eram já “muitos” os doentes “quase a ultrapassar” o Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG) que ronda, nesta especialidade, os 180 dias.
A TMRG é o tempo considerado clinicamente aceitável para a prestação dos cuidados de saúde adequados à condição de cada utente do Serviço Nacional de Saúde, indicador definido por lei e publicado em Diário da República.


