Cérebro produz molécula protetora contra os efeitos da cannabis

03/01/14

Cérebro produz molécula protetora contra os efeitos da cannabisPublicada hoje, dia 3 de janeiro, na revista Science, sob o título "Pregnenolone Can Protect the Brain from Cannabis Intoxication", a investigação liderada por Pier Vincenzo Piazza e Giovanni Marsicano descobriu que a pregnenolona, uma molécula produzida pelo cérebro, age como um mecanismo de defesa natural contra os efeitos nocivos da cannabis em animais.



Os investigadores estão já a desenvolver novas pesquisas que podem abrir caminho na terapia farmacológica da dependência de cannabis.

A pregnenolona impede o THC, principal princípio ativo na cannabis, de ativar totalmente o seu receptor cerebral, o receptor CB1, que quando superestimulado pela THC provoca os efeitos intoxicantes da cannabis. Neste contexto, as equipas de investigação têm pesquisado o papel potencial da pregnenolona, uma hormona esteróide produzida no cérebro. Até agora, a pregnenolona foi considerada o precursor inactivo utilizado para sintetizar todas as outras hormonas esteróides (progesterona, estrogénios, testosterona, etc.).

Mas a investigação veio a revelar que pregnenolona tem um papel funcional importante uma vez que fornece um mecanismo de defesa natural que pode proteger o cérebro contra os efeitos nocivos da cannabis.

Essencialmente, quando altas doses de THC (bem acima daquelas inaladas pelos utilizadores regulares) activam o receptor de canabinóides CB1, também desencadeiam a síntese de pregnenolona. Esta, liga-se a um local específico nos mesmos receptores CB1 provocando a redução dos efeitos do THC. A administração de pregnenolona em doses que aumentam o nível dessa hormona no cérebro, antagonizam os efeitos comportamentais da cannabis. A nível neurobiológico, a pregnenolona reduz muito a libertação de dopamina desencadeada pelo THC. Este é um efeito importante, uma vez que os efeitos de dependência de drogas envolvem uma libertação excessiva de dopamina.

Este feedback negativo mediado pela pregnenolona (THC é o que desencadeia a produção de pregnenolona, que, em seguida, inibe os efeitos do THC) revela um mecanismo endógeno anteriormente desconhecido que protege o cérebro de uma sobre-activação dos receptores de CB1. O papel da pregnenolona foi descoberto quando os ratos receberam doses equivalentes de cocaína, morfina, nicotina, álcool e cannabis e os níveis de vários esteróides cerebrais (pregnenolona, testosterona, etc), foram medidos.

No entanto, segundo Pier Vincenzo Piazza, em afirmações à Bio-Medicine, a pregnenolona não pode ser utilizada como um tratamento, já que a "pregnenolona é mal absorvida quando administrada por via oral e sanguínea, sendo rapidamente transformada noutros esteróides". Ainda assim, para o investigador que há uma forte esperança de que uma nova terapia venha a emergir desta descoberta. "Nós temos desenvolvido derivados da pregnenolona que são bem absorvidos e estáveis". "Eles apresentam as características de compostos que podem ser usados como uma nova classe de fármacos. Devemos ser capazes de começar os testes clínicos em breve e verificar se temos realmente o primeiro tratamento farmacológico da dependência de cannabis".

 

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