Implementação de TRAg em farmácias contribuiu para menos infeções, internamentos e mortes por COVID-19

20/12/22
Implementação de TRAg em farmácias contribuiu para menos infeções, internamentos e mortes por COVID-19

A Associação Nacional das Farmácias (ANF) apresentou, no dia 15 de dezembro, as principais conclusões de um estudo realizado pelo Centro de Estudos e Avaliação em Saúde (CEFAR), que evidenciou ganhos em saúde conforme a implementação nas farmácias do serviço de testes rápidos de antigénio (TRAg) de uso profissional para a deteção da COVID-19.

Com o aumento da capacidade de testagem e de rapidez de diagnóstico proporcionados pelos testes rápidos de antigénio (TRAg) de uso profissional, as Farmácias Comunitárias registadas na Entidade Reguladora da Saúde iniciaram, em janeiro de 2021, a prestação deste serviço à população, no âmbito da Estratégia Nacional de Testagem para o SARS-CoV2, divulgada em outubro de 2020, em que se incluía os TRAg de uso profissional.

O projeto de investigação realizado pelo CEFAR contou com quatro estudos de análise de diferentes parâmetros e que teve como objetivo global avaliar o impacto para a sociedade com a integração das farmácias comunitárias na prestação do serviço TRAg de uso profissional para o diagnóstico da COVID-19.

Na opinião da presidente da ANF, Prof.ª Doutora Ema Paulino, a colaboração das farmácias com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) “tem enormes vantagens para as pessoas e para um melhor funcionamento e sustentabilidade dos serviços de saúde em Portugal, pelo que deve ser potenciada noutras intervenções profissionais”.

Entre janeiro de 2021 e setembro de 2022, as farmácias realizaram mais de 13 milhões de TRAg à população, atingindo-se o pico em janeiro deste ano com as farmácias a darem resposta a mais de 90 % das solicitações de TRAg feitas em Portugal.

Com o apoio da Associação Nacional das Farmácias, a rede de 1 650 farmácias envolvidas nos testes conseguiu, num curto espaço de tempo, reunir as condições necessárias para a prestação de um serviço de fácil e rápido acesso pela população, com salvaguarda dos requisitos legais, de segurança, qualidade e confidencialidade.

A inclusão das farmácias na estratégia nacional de testagem, permitiu uma maior cobertura nacional, isto é, que mais de 74 concelhos passassem a ter um local de testagem rápida, preenchendo lacunas geográficas e socioeconómicas na cobertura do território nacional como um todo. O número de concelhos cobertos com farmácias em Portugal continental foi de 266 (95,7 %).

De acordo com o estudo do CEFAR, a possibilidade de recorrer à farmácia comunitária permitiu a cada português poupar, em média, 2 km de deslocação por teste realizado, sendo que em 19 municípios essas deslocações seriam superiores a 25 km sem as farmácias.

A possibilidade de realização de TRAg, em complemento à testagem PCR, teve como efeito um maior acesso e diagnóstico mais rápido, contribuindo para a redução do número de infeções (-14,5 %), dias de internamento (-7,4 %) e mortes (-6,7 %) – valores estimados para um período de 60 dias.

O índice de satisfação médio de pessoas satisfeitas com o serviço de testagem nas farmácias é superior a 4,5 em todos os domínios (avaliação de 1 a 5), destacando-se os seguintes: 4,8 na rapidez na comunicação do resultado; 4,8 na localização da farmácia; e 4,7 na confiança na competência do profissional.

Durante o evento, o ministro da Saúde, Dr. Manuel Pizarro, enalteceu o esforço de toda a comunidade neste período e afirmou não ter dúvidas de que uma parte do que aconteceu se deveu também à ação das farmácias. No entender do governante, em “qualquer estratégia de Saúde para Portugal que, sendo um país pequeno é um país com enormes diferenças regionais e geográficas, faz todo o sentido, não apenas continuar a ver, mas valorizar, as farmácias como parceiros do SNS, e melhorar os resultados em saúde para os portugueses.” E acrescenta que “em muitos casos a farmácia é mesmo o primeiro interface com as pessoas que procuram cuidados de Saúde e é o primeiro local de aconselhamento”.

Na ocasião, o ministro da Saúde destacou os projetos que, em colaboração com as farmácias, serão implementados em 2023: a renovação automática da medicação de doentes crónicos e a distribuição dos medicamentos prescritos nos hospitais para tratamento de algumas doenças, que poderão ser realizados nas farmácias, medidas com grande impacto na vida das pessoas e no alívio da sobrecarga dos serviços e profissionais do SNS.

A inclusão das farmácias na estratégia nacional de testagem evidencia-se como uma das colaborações destas entidades para com o SNS, contribuindo “para uma clara melhoria dos cuidados de saúde de proximidade”, salienta a Prof.ª Doutora Ema Paulino.

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