Investigadores estudam novas opções terapêuticas para a hipertensão arterial pulmonar, caracterizada como “a mais severa"

20/12/22
Investigadores estudam novas opções terapêuticas para a hipertensão arterial pulmonar, caracterizada como “a mais severa"

Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) vai iniciar um estudo científico, em janeiro do próximo ano, com o objetivo de encontrar novas opções terapêuticas para a hipertensão arterial pulmonar.

Em causa está uma doença descrita como “a mais severa a nível da circulação dos pulmões”, que se caracteriza pelo aumento da resistência vascular pulmonar, o que provoca a progressiva deterioração do ventrículo direito e consequente morte prematura do doente.

Em Portugal, estima-se que esta doença tenha uma incidência anual de 1,5 a 2,2 casos por milhão de habitantes.

Segundo os investigadores da FMUP, “apesar dos importantes avanços na compreensão dos mecanismos desta doença e do surgimento de novas terapêuticas, a mortalidade mantém-se em números muito elevados”.

O projeto propõe-se a decifrar o papel da relaxina-2, uma hormona descrita pela primeira vez pelos seus efeitos durante a gravidez.

De acordo com os autores desta investigação científica, esta hormona “desempenha uma ação fundamental na adaptação da circulação sanguínea e renal durante a gravidez, em vários processos fisiológicos e fisiopatológicos a nível cardíaco, bem como a propriedades antidiabéticas e anti-inflamatórias, entre outras”.

A FMUP aponta que este projeto, intitulado “Relaxina-2 e Hipertensão Arterial Pulmonar: papel fisiopatológico e potencial terapêutico”, foi um dos contemplados no último “Concurso de Projetos de I&D em Todos os Domínios Científicos” da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

A investigação recebeu um financiamento de aproximadamente 50 mil euros.

O objetivo do estudo é responder a “uma necessidade médica urgente em obter novas opções terapêuticas que ofereçam maior eficácia clínica”.

Os investigadores da FMUP esperam conseguir demonstrar que a via de sinalização a ser estudada terá uma ação importante na hipertensão arterial pulmonar e na hipertrofia e disfunção do ventrículo direito, alcançando, desta forma, um novo tratamento.

“A translação clínica dos resultados obtidos na hipertensão arterial pulmonar experimental é uma etapa crucial e, portanto, neste trabalho, planeamos também o papel dos níveis plasmáticos de relaxina-2 como preditor de severidade e prognóstico nos doentes”, afirmam os investigadores numa nota divulgada.

Além da FMUP, estão envolvidos no projeto a instituição francesa Inserm UMR-S U999, do RISE – Rede de Investigação em Saúde, bem como o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

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