CHULN recorre a inteligência artificial para rastreio de glaucoma

20/01/23
CHULN recorre a inteligência artificial para rastreio de glaucoma

O Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), recorre a um programa de inteligência artificial que pretende revolucionar o rastreio do glaucoma, a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Em comunicado, o hospital reporta que "é o primeiro a nível internacional a recorrer a um programa de inteligência artificial" neste âmbito, com vista a dar um diagnóstico da doença em segundos, substituindo um circuito de sete exames com cerca de uma hora de duração, poupando recursos e acelerando o tratamento.

Em comunicado, o CHULN, que agrega o Hospital de Santa Maria e o Hospital Pulido Valente, realça que "é pioneiro na utilização de inteligência artificial para rastreio de glaucoma", esperando "eliminar a lista de espera" de doentes.

O rastreio com recurso a esta tecnologia está ser feito desde novembro no serviço de Oftalmologia do CHULN, mas ainda durante o primeiro semestre será realizado também num centro de saúde de Lisboa, no quadro de um estudo-piloto, referiu o oftalmologista Prof. Doutor Luís Abegão Pinto, que coordena a consulta de glaucoma no Hospital de Santa Maria.

"Com o circuito de exames habitual, só conseguíamos ver oito doentes por dia, num processo que ocupava três ortoptistas, exames que depois ainda tinham de ser analisados por um médico", conta o responsável pela Consulta de Glaucoma do CHULN. "Com este novo exame, basta tirar uma fotografia aos olhos e, em segundos, o programa dá-nos um diagnóstico bastante exato sobre a doença. Isso permite-nos no mínimo duplicar a capacidade de exames diários e ficar apenas com os doentes que realmente precisam de fazer o resto do processo", depois de confirmada a doença.

Segundo o Prof. Doutor Luís Abegão Pinto, o programa de inteligência artificial foi treinado para reconhecer o glaucoma — uma doença progressiva e assintomática de difícil diagnóstico —, a partir de dados de 5000 a 6000 casos.

Estima-se que em Portugal existam cerca de 400 mil pessoas com glaucoma, metade das quais por diagnosticar, de acordo com o CHULN.

Apesar de a doença não ter cura, pode ser controlada com tratamentos — para travar a lesão progressiva do nervo ótico que conduz à perda de visão —, se for diagnosticada precocemente.

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