Novo sistema europeu de partilha de dados de saúde arranca em Lisboa

15/02/23
Novo sistema europeu de partilha de dados de saúde arranca em Lisboa

O Instituto Universitário de Lisboa (Iscte) lidera o XpanDH, um consórcio de 26 entidades, para criar um sistema europeu de partilha de dados de saúde entre os vários Estados-membros e os setores público, privado e social de cada país. O projeto, coordenado pelo português Prof. Doutor Henrique Martins, irá desenvolver nos próximos dois anos um novo ecossistema informático. 

O consórcio XpanDH liderado pelo Iscte – Conhecimento e Inovação, ao qual a Comissão Europeia adjudicou a criação de sistema europeu de partilha de dados de saúde, tem esta quarta-feira, 15 de fevereiro, em Lisboa a sua primeira reunião presencial. O Iscte e 25 parceiros europeus irão propor a Bruxelas um novo ecossistema de ligação entre sistemas informáticos das instituições de saúde europeias como hospitais, centros de saúde, laboratórios e registos nacionais. Trata-se de um projeto de dois milhões de euros que serão diretamente geridos pelo Iscte ao longo dos próximos dois anos.

As 26 instituições irão criar um formato comum de partilha de dados e um conjunto de regras que permitam que sistemas informáticos diferentes possam trocar dados de saúde de forma segura e clinicamente útil. Coordenado pelo médico Prof. Doutor Henrique Martins – docente e investigador do Iscte e presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) entre 2013 e 2020 – o XpanDH – Expanding Digital Health through a pan-European EHRxF-based Ecosystem "ajudará a criar condições para que cidadãos e as organizações de saúde possam partilhar melhor dados de saúde, não só entre os países da União Europeia, mas também entre os sistemas nacionais de saúde e os diferentes operadores privados e do setor social de cada país", segundo nota divulgada pelo istituto de ensino.

“Este projeto XpanDH reúne os mais conceituados especialistas europeus em dados de saúde para criarem um ambiente de interoperabilidade sustentável e escalável em toda a União Europeia”, afirma o Prof. Doutor Henrique Martins, coordenador do XpanDH. “Essa nova capacidade de diferentes sistemas informáticos trocarem dados sem esforço para os profissionais clínicos que os utilizam irá permitir que qualquer cidadão – seja trabalhador imigrante, estudante em Erasmus ou turista – possa ser atendido em qualquer instituição de saúde, pública ou privada, na sua terra ou numa cidade no outro lado da Europa, com acesso aos mesmo dados do seu historial clínico”.

Um objetivo central do XpanDH é desencadear um envolvimento o mais intenso e participativo de todos os tipos de futuros utilizadores de
serviços digitais interligados, desde doentes e cuidadores a profissionais de saúde, entre outros agentes. “A chegada do projeto XpanDH surge num momento único para a União Europeia uma vez que os estados-membros já estabeleceram bases comuns de trabalho para uma melhor interoperabilidade na área da saúde digital, casos da consolidação do eHDSI e dos seus serviços via “MyHealth@EU”, bem como do Certificado Digital COVID”, conclui o Prof. Doutor Henrique Martins.

O XpanDH é um projeto que integra o Horizon Europe, programa para o financiamento da investigação e da inovação na União Europeia.

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