Uma mulher morre no mundo a cada dois minutos devido a gravidez ou parto

23/02/23
Uma mulher morre no mundo a cada dois minutos devido a gravidez ou parto

Uma mulher morre a cada dois minutos devido à gravidez ou ao parto, refere um relatório divulgado esta quarta-feira, dia 22 de fevereiro, em Genebra pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O relatório, elaborado pela OMS em nome do grupo interagências de estimativa da mortalidade materna das Nações Unidas - que integra ainda o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU -, rastreia as mortes maternas à escala nacional, regional e global de 2000 a 2020 e mostra que houve cerca de 287.000 mortes maternas em todo o mundo em 2020.

“Isso marca apenas uma ligeira queda em relação aos 309 mil óbitos registados em 2016, quando os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU (SDG - Sustainable Development Goals) entraram em vigor”, destacou o documento.

O diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Ghebreyesus, alertou que os novos dados “revelam a necessidade urgente de garantir que toda a mulher e menina tenham acesso a serviços críticos de saúde antes, durante e após o parto, e que possam exercer completamente seus direitos reprodutivos".

“Embora a gravidez deva ser um tempo de imensa esperança e uma experiência positiva para todas as mulheres, é ainda tragicamente uma experiência chocantemente perigosa para milhões em todo o mundo que não têm acesso a cuidados de saúde de qualidade”, acrescentou Ghebreyesus.

Em duas das oito regiões da ONU - Europa e América do Norte e América Latina e Caraíbas - a taxa de mortalidade materna aumentou de 2016 para 2020, em 17 % e 15 %, respetivamente, acentua o documento, que refere que nas restantes a taxa estagnou.

O relatório destacou, no entanto, que também há boas notícias e dá como exemplo duas regiões - Austrália e Nova Zelândia e Central e sul da Ásia – que registaram descidas significativas (em 35 % e 16 %, respetivamente) nas suas taxas de mortalidade materna durante o mesmo período, tal como aconteceu em 31 países em todo o mundo.

A diretora-executiva da Unicef, Dr.ª Catherine Russell, defendeu que “nenhuma mãe deveria ter de recear pela sua vida enquanto trazia um bebé para o mundo, especialmente quando existem o conhecimento e as ferramentas para tratar complicações comuns”.

Segundo o relatório, as mortes maternas continuam fortemente concentradas nas zonas mais pobres do mundo e nos países afetados por conflitos.

Em 2020, cerca de 70 % de todas as mortes maternas registaram-se na África subsaariana.

Em nove países que enfrentam graves crises humanitárias, as taxas de mortalidade materna foram mais do que o dobro da média mundial (551 mortes maternas por 100.000 nascidos vivos, em comparação com as 223 à escala global).

“Este relatório fornece mais um alerta vibrante da necessidade urgente de dobrar o nosso compromisso com as mulheres e a saúde das adolescentes", defendeu o diretor-geral de Saúde, Nutrição e População do Banco Mundial, Dr. Juan Pablo Uribe, que destacou “mais investimentos nos cuidados primários de saúde e sistemas de saúde mais fortes e mais resistentes”.

Para a diretora-executiva da FNUAP, Dr.ª Natália Kanem, "é inaceitável que tantas mulheres continuem a morrer desnecessariamente durante as gravidezes e partos” e “mais de 280 mil mortes num único ano são incompreensíveis”.

“Podemos e devemos fazer melhor investindo urgentemente em planeamento familiar e preenchendo a escassez global de 900 mil parteiras para que toda a mulher possa ter acesso aos cuidados que salvam vidas. Temos as ferramentas, conhecimentos e recursos para acabar com mortes maternas evitáveis, o que precisamos agora é a vontade política", frisou Dr.ª Natália Kanem.

O diretor da Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, Dr. John Wilmothe, sustentou que “reduzir a mortalidade materna continua a ser um dos desafios globais de saúde mais prementes".

O relatório revelou que o mundo “deve acelerar significativamente o progresso para cumprir as metas globais para reduzir as mortes maternas, ou então arriscar a vida de mais de um milhão de mulheres até 2030”.

A meta de objetivos de desenvolvimento sustentável para mortes maternas é para uma taxa global de mortalidade materna (MMR, na sigla em inglês) de menos de 70 mortes maternas por 100.000 nascidos vivos até 2030.

O MMR global em 2020 foi estimado em 223 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos, abaixo das 227 em 2015 e das 339 em 2000.

Entre 2000 e 2015, no período de metas de desenvolvimento do milénio (MDG, na sigla em inglês), a taxa anual global de redução foi de 2,7 %, mas desceu para níveis insignificantes durante os primeiros cinco anos da era do SDG (de 2016 a 2020).

O documento explicou que uma morte materna é definida como uma morte devido a complicações relacionadas com a gravidez ou o parto, ocorrendo quando uma mulher está grávida ou nas primeiras seis semanas após o final da gravidez.

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