Na presença de doença, os níveis das proteínas da urina mudam aquando a sua análise. E é esta análise que permite identificar sinais moleculares que ajudam a melhorar a fiabilidade do diagnóstico e a prever o percurso de uma doença. É algo que é especialmente importante no caso de doenças que têm um acompanhamento invasivo e dispendioso, como acontece com o cancro da bexiga. O atual diagnóstico e acompanhamento para este cancro pode implicar uma equipa médica (enfermeiro, anestesista, médico) e bloco cirúrgico no caso da realização de uma cistoscopia – exame endoscópio feito através da uretra que é necessário realizar de três em três meses uma vez que é feito o diagnóstico deste cancro. Esta nova abordagem propõe um acompanhamento feito apenas através de recolhas de urina.
Eis o que o Health2You propõe identificar e analisar as proteínas que de forma simples é uma análise aos sistemas inflamatório e imunitário e depois organizá-las por grupos, resultando daí percursos bioquímicos que são analisados ao longo do tempo. É a diferença de resultados entre estes percursos que indica se o doente está ou não a responder ao tratamento e consequentemente se a terapêutica aplicada tem de ser alterada.
No paper publicado, que contou com a colaboração do Serviço de Urologia do Hospital de São José, em Lisboa, dirigido pelo Prof. Doutor Luís Campos Pinheiro, apresentam-se resultados reais do acompanhamento de 13 de doentes com recorrência (de cancro da bexiga) por oposição a 17 doentes sem recorrências. Foram 35 as proteínas analisadas sendo que quatro destas já foram citadas na literatura científica como sendo potenciais biomarcadores do cancro da bexiga. “Conseguimos monitorizar estes doentes com êxito e ainda acompanhámos seis doentes ao longo de 62 meses”, explica o Prof. Doutor Hugo Santos, investigador da FCT NOVA que lidera este projeto. “Desta forma é possível acompanhar o percurso individual da doença e por isso identificar quais são os doentes que realmente precisam de abordagens mais invasivas como a cistoscopia.”
O cancro da bexiga é o grande foco deste projeto, tendo em conta as suas características, mas na verdade o projeto é aplicável ao acompanhamento de qualquer cancro e diferentes tipos de doenças e uma mais-valia para os médicos que as tratam. “Prevemos que muito em breve vamos conseguir identificar 3 mil proteínas em apenas 15 minutos, o que fará toda a diferença tanto para o hospital ou clínica como para o doente”, explica o professor associado Prof. Doutor José Luís Capelo, que integra a equipa do projeto. “O Health2You permitirá um acompanhamento muito próximo, detalhado, prático e acessível pelos baixos custos implicados. E pela sua rapidez e precisão também permitirá aos médicos tomar as melhores decisões para o tratamento dos doentes.”
O projeto Health2You, que conta ainda com a participação de investigadores do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh (EUA), da Universidade de Vigo e da Universidade de Valladolid (Espanha), está neste momento à procura de financiamento para conseguir levar este método para junto dos doentes, em hospitais e clínicas.


