Esta é a primeira investigação que, combinando toda a informação científica produzida mundialmente, demonstra existir associação entre a saúde oral e 28 patologias distintas, reforçando a importância que esta tem para a Saúde em geral e justificando porque deve ser parte integrante do acompanhamento clínico.
O relatório destaca um conjunto de doenças que podem surgir em pacientes que tenham uma má saúde oral, entre elas: a diabetes, doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, reumáticas, inflamatória intestinal, e ainda, obesidade e asma. Já entre os cinco tipos de cancro estão o do pulmão, do pâncreas, da mama, da próstata, e da cabeça e do pescoço.
O Prof. Doutor João Botelho, investigador do Egas Moniz Center for Interdisciplinary Research, refere que os resultados deste estudo “coincidem com o Relatório Global de Saúde Oral da Organização Mundial de Saúde 2022, que alerta para a urgente necessidade de se incorporar definitivamente não só cuidados de saúde oral, mas também a educação para a mesma nos sistemas de saúde. Neste sentido, tendo por base a nossa investigação, pretendemos não só confirmar a correlação entre a saúde oral e outras patologias, mas também reforçar a importância do papel da medicina dentária como garantia da saúde em geral e da aposta na prevenção como complemento ao cuidado e tratamento”. Acrescenta ainda que “esta questão é de extrema importância quando verificamos que os cuidados de saúde oral, mesmo os básicos, não são acessíveis a todos”.
Segundo este mesmo relatório da Organização Mundial de Saúde, as doenças que afetam a cavidade oral são as mais comuns, afetando metade da população mundial. Neste sentido, a investigação da Egas Moniz reforça a necessidade de prevenção de doenças sistémicas com impacto na qualidade de vida dos pacientes, e estima que o número de doenças associadas à saúde oral negligenciada possa aumentar, consoante o número de estudos realizados.
Além disso, estes investigadores alertam também para a prevalência destas patologias em Portugal, que atinge valores elevados quando comparada a outros países europeus. Referem ainda que medidas preventivas em saúde oral têm impacto económico dando o exemplo que, só em 2018, a periodontite, doença que afeta as gengivas, causou uma perda económica na Comunidade Europeia estimada em 159 biliões de euros.


