Profissionais de saúde pretendem mais Centros de Responsabilidade Integrada para regenerar SNS

14/04/23
Profissionais de saúde pretendem mais Centros de Responsabilidade Integrada para regenerar SNS

Responsáveis de vários Centros de Responsabilidade Integrada (CRI) juntaram-se numa associação para reorganizar e regenerar os serviços de saúde nos hospitais, com foco no impacto nas urgências e nos cuidados primários.

“Não é a única solução, mas é uma das soluções. Através dos CRI pode haver uma reorganização e uma regeneração dos serviços de saúde a nível hospitalar”, afirmou o Dr. Varandas Fernandes, que dirige o CRI de Traumatologia Ortopédica do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central.

O responsável acredita que estes centros, estruturas dependentes dos conselhos de administração dos hospitais, mas que assumem compromissos de desempenho assistencial, económico e financeiro – como acontece com as Unidades de Saúde Familiar –, além de ajudarem a reformar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), são mais atrativos para fixar os profissionais, que recebem incentivos financeiros pelo desempenho.

O Dr. Varandas Fernandes adianta que a principal missão da Convergência dos Centros de Responsabilidade Integrada Associação (CCRIA) é acompanhar, dinamizar e promover os CRI, sublinhando a importância de funcionarem com equipas multidisciplinares.

No CRI que dirige, “temos um farmacêutico, um colega da Medicina Interna, uma assistente social, uma nutricionista. É uma visão alargada de abordar um doente, não apenas pela patologia que apresenta quando entra num hospital".

“Por vezes, quando chega, o doente já traz muitas doenças de base”, lembra o responsável, insistindo que [com os CRI] os resultados acabam por aparecer, não só na demora média [dos casos], como nas taxas de mortalidade: “E isto acabará por ter sempre um bom reflexo ao nível dos cuidados primários de saúde e dos serviços de urgência”, insiste.

Quanto aos profissionais, sentem-se mais realizados porque têm remunerações adicionais. “Têm suplementos remuneratórios consoante a atividade prestada e este pode ser um dos caminhos para ajudar a regenerar e a reformar o SNS.”

“Qualquer profissional que desempenhe funções num CRI, seja médico, enfermeiro, técnico de diagnóstico e terapêutica ou técnico administrativo pode fazer parte desta associação”, acrescenta.

O Dr. Varandas Fernandes considera que o SNS “precisa de uma regeneração interna, de estruturas orgânicas intermédias que deem uma vitalidade e impulsionem novos métodos e novas organizações”, defendendo que os CRI são uma das soluções.

O especialista sublinha a necessidade de criar Centros de Responsabilidade Integrada em áreas médicas onde não existem, assim como de fazer evoluir os CRI cirúrgicos. Neste sentido, "através desta associação, podemos ajudar a melhorar os ganhos e os resultados em saúde, promovendo a criação de CRI", defende.

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