Vacinação em faixas etárias inferiores pode ser considerada se não prejudicar prioritários

20/09/23
Vacinação em faixas etárias inferiores pode ser considerada se não prejudicar prioritários

A Direção-Geral da Saúde (DGS) admite que a abertura da vacinação sazonal a faixas etárias inferiores aos 60 anos pode ser considerada, desde que não prejudique os grupos de maior risco. O Dr. André Peralta Santos, diretor-geral da saúde, defende que há uma forte adesão das farmácias para a vacinação. 

Ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do PS, sobre o processo de vacinação em curso, o Dr. André Peralta Santos lembrou a liberdade de escolha dos cidadãos, insistindo que, apesar de a vacinação para os maiores de 60 estar definida para acontecer nas farmácias, qualquer cidadão que queira ser vacinado nos centros de saúde pode fazê-lo.

Questionado pelos deputados, disse que há “uma forte adesão [que é voluntária] das farmácias” ao processo de vacinação sazonal e confessou que há “alguma incerteza em relação ao numero concreto [de pessoas] que se irá vacinar em farmácias”.

“O objetivo é sempre manter um stock adequado, quer nas farmácias, quer nos centros de saúde, para não desperdiçar uma única oportunidade de vacinação e nem ter roturas de stock”, explicou.

Questionado sobre a retirada, pelo Governo, de competências à DGS, o Dr. André Peralta Santos insistiu que a Direção-Geral da Saúde é um pilar do sistema de saúde em Portugal.

“É uma instituição com mais de 120 anos de história e que tem dado um contributo notável para a proteção e promoção da saúde dos portugueses e das portuguesas”, afirmou o Dr. André Peralta Santos, acrescentando: “Nas minhas funções atuais, gostaria que continuasse dessa forma.”

De acordo com o Dr. Luís Graça, coordenador da Comissão Técnica de Vacinação, “seria desadequado não priorizar os grupos de maior risco, os mais idosos, os residentes nos lares e os profissionais de saúde”.

“Eventualmente, o alargamento a outras faixas etárias poderá ser considerado, (…) desde que não impacte nesta vacinação dos grupos prioritários”, afirmou.

O Dr. Luís Graça sublinhou a mensagem de confiança na vacinação, destacando a sua importância e o respeito dos diversos partidos políticos pelas decisões técnicas.

“Isto faz com que o país tenha uma cobertura vacinal muito superior a outros países em que houve um conflito entre a parte técnica e outros aspetos fora da técnica”, acrescentou.

A campanha de vacinação sazonal contra a COVID-19 e a gripe abrange maiores de 60 anos – que pela primeira vez serão este ano vacinados nas farmácias –, residentes em lares, profissionais de saúde, trabalhadores dos lares e doentes crónicos. 

A vacinação terá início em 29 de setembro e decorrerá em simultâneo nas farmácias comunitárias, para as pessoas com 60 ou mais anos, e nos estabelecimentos de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS), para as pessoas com menos de 60 anos e com doenças de risco.

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