O consenso entre os profissionais que se dedicam diariamente à gestão desta síndrome é o que mais se destaca, sendo urgente “promover educação para a saúde, em particular, sobre IC dado o impacto social e económico que esta síndrome tem em Portugal”.
Foram também identificadas lacunas no que diz respeito à organização de cuidados, especialmente “no que toca à necessidade de funcionamento em rede, com tarefas e vias de referenciação definidas, integrando os Cuidados de Saúde Primários, os hospitais regionais e os hospitais centrais” e ainda ao diagnóstico, “na necessidade de disponibilizar exames essenciais ao diagnóstico nos Cuidados de Saúde Primários, onde estes não estão disponíveis de forma comparticipada. Este simples facto possibilitaria um diagnóstico bastante mais atempado e iria otimizar a referenciação de doentes a consultas hospitalares especializadas”, refere o Dr. João Agostinho.
O médico salienta ainda que, apesar de o diagnóstico de IC estar “cada vez mais refinado, sobretudo pela disponibilidade de meios complementares de diagnóstico mais fidedignos, o progressivo envelhecimento da população, a falta de conhecimento da população e de alguns profissionais de saúde sobre IC e a ausência de disponibilidade de alguns meios complementares de diagnóstico, predominantemente nos Cuidados de Saúde Primários, contribuem, não só para um crescente número de doentes, mas também, para o consequente subdiagnóstico”. Existe, acrescenta, “margem para melhoria em todo o espetro de tratamento da IC”.
O Dr. João Agostinho explica que “compilou os principais pontos para melhoria e as dificuldades que um grupo de experts enfrentam na gestão de doentes com IC”, tendo depois procurado “validar a importância destas questões junto de um grupo de peritos em IC de todo o país e que incluiu enfermeiros, médicos de Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Cardiologia”, espelhando “a opinião generalizada dos profissionais especializados que estão todos os dias no terreno a cuidar dos doentes com IC. Assim, as conclusões apresentadas revestem-se de maior validade – sobretudo pelo número e abrangência dos participantes – para que sejam utilizadas como ponto de partida para a melhoria necessária na gestão da IC em Portugal”.
A iniciativa reuniu, pela primeira vez, especialistas do Grupo de Estudo de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, o Núcleo de Estudos de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e o Grupo de Estudos de Doenças Cardiovasculares da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.


