“Em Portugal, o único estudo de prevalência da dislexia, apresentado em 2011, aponta uma taxa de 5,4 % de crianças com perturbações da aprendizagem relacionadas com a dislexia. Ou seja, estima-se que haja, pelo menos, um aluno disléxico por turma nas escolas portuguesas e que quase metade das crianças portuguesas que frequentam a educação especial sejam disléxicas”, recordou hoje a associação, por ocasião do Dia Mundial da Dislexia.
A presidente da Dislex, Dr.ª Helena Serra, advertiu que há ainda muitos casos por identificar e que o único estudo português peca por falta de representatividade, ao ter incluído 1460 crianças, todas do 1.º Ciclo.
“Este é um problema com origem na formação dos professores, porque o sistema educativo não prevê um tipo de formação específica de forma obrigatória. Deste modo, muitos casos acabam por ser detetados já numa fase tardia da vida da criança, o que se traduz, posteriormente, em insucesso escolar, em muita frustração, em oposição à frequência da escola, em discriminação por parte dos colegas e em défice de saúde mental”, acrescentou a Dr.ª Helena Serra.
A formação de professores especializados e de apoio socioeducativo, defendeu, é um fator essencial para garantir “uma intervenção adequada” nas crianças com dislexia e um acompanhamento que atenue os problemas das crianças com esta condição.
“Só depois da identificação destes casos por parte dos profissionais de educação qualificados é que psicólogos, docentes especializados e terapeutas da fala podem intervir”, sublinhou, destacando que o “apoio ocasional” do docente de educação especial não é suficiente.


