O Cancro do Intestino é uma das doenças mais prevalentes e letais em todo o mundo, afetando indiscriminadamente pessoas de todas as origens étnicas. No entanto, existe uma disparidade preocupante no acesso à prevenção e rastreio desta doença em algumas comunidades.
No nosso país, todos os anos são diagnosticados mais de 11 000 novos casos e morrem cerca de 4000 pessoas. Infelizmente, esta é uma doença silenciosa que demora cerca de seis a oito anos a progredir e cujos sintomas a população ainda não reconhece!
É neste contexto que surge o "Projeto +INTESTINO", uma iniciativa de saúde pública organizada pela Europacolon Portugal que visa combater a desigualdade no acesso ao rastreio do cancro do intestino, direcionando os seus esforços para a comunidade afrodescendente em Portugal.
Uma das principais barreiras à prevenção do cancro do intestino é o acesso limitado aos programas de rastreio. Muitas vezes, as comunidades minoritárias enfrentam desafios específicos, como falta de informação, barreiras linguísticas, falta de acesso ao seu médico de família e dificuldades de transporte.
Existe também o medo de sair do consultório com uma notícia negativa, de existir a possibilidade de ter cancro. Mas a verdade é que quanto mais cedo se fizer o diagnóstico, maior a hipótese de existir um tratamento que estabiliza a doença.
O Projeto “+INTESTINO” procura eliminar estas barreiras, levando o rastreio diretamente à comunidade negra através de uma Unidade Móvel de Saúde.
A população-alvo tem entre 50 a 74 anos de idade, pois a probabilidade de desenvolver cancro colorretal aumenta com a idade, sendo que 90 % dos diagnósticos acontecem acima dos 50 anos.
De acordo com a American Cancer Society os afro-americanos têm cerca de 20 % mais de probabilidade de desenvolver cancro colorretal e 40 % têm mais probabilidade de morrer desta patologia.
Na Europa ainda não existem dados relevantes, pelo que este projeto será um ponto de partida para ajudar a diagnosticar e a travar a doença a tempo!
Em pleno 2023 continua a não haver um rastreio nacional ao cancro do intestino, o que chamamos um rastreio de base populacional, que abrange todas as pessoas a partir dos 50 anos de idade.
Importa frisar que o rastreio só acaba quando o diagnóstico é concretizado e o acompanhamento na especialidade clínica é assegurado, quando os testes positivos têm colonoscopia de confirmação e despiste! Entendemos que o Ministério da Saúde e a Direção Executiva têm de reorganizar e planear o rastreio do cancro do intestino em Portugal.
Este rastreio tem de ser feito da mesma forma de Norte e Sul do país e não é isso que está a acontecer. Atualmente, cada Administração Regional de Saúde faz o rastreio à sua forma e sabemos que, neste momento, há uma dificuldade enorme para dar seguimento às colonoscopias de pessoas com teste positivo.
O projeto “+INTESTINO” visa reforçar a vantagem da prevenção e do diagnóstico precoce deste tipo de doenças oncológicas, pois em 90 % dos casos pode salvar vidas.
O método de rastreio será através da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes.
É um teste que é fácil e não dói. Esta análise permite identificar a presença de pequenas quantidades de sangue nas fezes. Um resultado positivo tem, obrigatoriamente, de ser confirmado através da realização de uma colonoscopia.
É importante saber que:
- O risco da doença aumenta a partir dos 50 anos
- A obesidade, o consumo de álcool e tabaco são fatores de risco importantes
- É fundamental conhecer os antecedentes familiares
- Uma dieta rica em gordura, fritos, açúcar, carnes vermelhas e processadas aumenta a probabilidade de desenvolver cancro do intestino
Lembre-se, é importante reconhecer os sintomas do cancro colorretal:
- Alteração dos hábitos intestinais (obstipação ou diarreia, sem razão aparente, e/ou fezes muito escuras)
- Perda de sangue através do ânus ou sangue misturado nas fezes (sem irritação, dor ou comichão)
- Sensação de que o intestino não esvazia completamente
- Dor intensa, desconforto abdominal e/ou cansaço sem explicação aparente


